Blog do Ernani de Paula

Empresário, ex-prefeito de Anápolis (GO) e sempre atento à política

Demolidores de Estados

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Há uma guerra sendo travada no País. Para além dos nossos desafios diários, individuais ou coletivos, na política brasileira ocorre um fenômeno semelhante ao que vemos na internet. Nas redes sociais, grupos radicais eriçam suas bandeiras e defendem seus protegidos a qualquer custo, principalmente pelo sacrifício da verdade.

Neste cenário, o embate PSDB e PT ganha ares de arena romana, num enfrentamento pouco ético e repleto de movimentos cruéis e golpes baixos. Na política não há mocinhos ou detentores da razão ou da ética. Mas o que temos visto é o terror da dialética e o sacrifício das ideologias em nome do Poder.

Em uma realidade de discursos radicalizados e extremistas, defender o PT é uma tarefa para poucos, assim como é quase impossível presenciar a um debate sensato na qual se encontre o reconhecimento dos avanços do Brasil em contraposição aos desmandos dos escândalos recentes. Relativizar estas duas pontas é um erro ético, como se os fins justificassem os meios. Mas apagar no que o Brasil se transformou é retraduzir a história de forma incoerente e leviana.

É nesta seara que entra um trabalho sujo operado pelo PSDB de forma institucional. A legenda que já representou a evolução do discurso político nacional ao dar um passo à frente do que o MDB, depois PMDB, foi no processo de combate à ditadura e no processo de redemocratização, o partido dos tucanos tem se apequenado num embate mesquinho de desconstrução do PT. E fazer isto é esquecer a própria trajetória. É optar por não se construir para demolir o outro.

Primeiro, a cúpula nacional, até hoje representada por um cansado e pouco popular Fernando Henrique Cardoso, instaura uma política de discursos sistematizados contra o ex-presidente Lula. É a verdadeira Batalha das Bengalas, na qual FHC e Lula se digladiam. A razão para se atacar um político sem mandato é inexplicável, exceto pelo temor real de que, após Dilma, Lula siga dando sequência ao projeto que ele mesmo criou. Para o PSDB, ataca Lula três anos antes da eleição é anunciar o medo eminente de mais uma derrota. O PSDB já absorveu o golpe antes mesmo dele ser desferido.

Com isto, a legenda se ausente do verdadeiro debate: o de explicar à sociedade brasileira o que seus representantes têm feito em seus Estados. Esbravejam contra o PT e Lula no intuito de ensurdecer o eleitor brasileiro para que ele não ouça o silêncio da falta de explicações.

Em Goiás, Marconi Perillo está liquidando o Estado: quer vender a Celg e transformar Goiás em um Estado Mínimo, importando um questionável conceito de OS para a Saúde e para a Educação. Em breve, se deixarem que conclua suas ações, Perillo irá entregar o Estado à iniciativa privada.

Além disto, parcela salários porque o dinheiro acabou. Há 16 anos no poder, Perillo sequer pode por a culpa em antecessores. E sequer se dá ao trabalho de explicar o porquê do Estado ter chegado a este patamar de crise, inchaço e falta de gestão. A solução por ele encontrada é o loteamento das opiniões da imprensa e a divulgação de dados estatísticos feitos por empresas contratadas, como a do Movimento Brasil Competitivo, do todo-poderoso Jorge Gerdau.

Em São Paulo, Alckmin transforma a cidade em um deserto sequíssimo infestado pela Dengue e pela ausência de gestão e ainda consegue culpar o governo federal pelos desmandos. O PSDB está há 20 anos no poder e ainda assim o paulista crê na propaganda tucana de que a culpa pertence aos outros.

No Paraná, o caos administrativo, político, de imagem e a violência estatal campeando as ruas e avenidas em cenas lamentáveis. Professores que saem às ruas para defender o assalto às suas aposentadorias, sob a medida de alterações na Previdência, são recebidos à bala e pauladas pela polícia do Estado. Beto Richa, enquanto isto, tenta apagar incêndios de revelações de indícios de corrupção em sua campanha e atos nada republicanos.

Ao atacar o PT – dizendo verdades e mentira, bem entendido – o PSDB na verdade esconder a sua autêntica vertente: a de ser um partido de demolidores de Estados. Em todos os governos do PSDB há uma crise combatida com tiro, porrada e bomba e muita, mas muita propaganda.

Assim, também, esconde a sua ausência de lideranças e prefere se manter no ar condicionado, falando mal do Brasil e do Governo ao vivo, direto de Nova Iorque. No entanto, a legenda sequer tem um discurso popular, que entre em sintonia com a população maciça, ou alguém que consiga abrir um diálogo além dos nichos sociais. O povão está descrente e longe do tucanato. Imagine qual político que hoje poderia fazer críticas a Lula ou ao PT num palanque instalado no meio de uma praça de comunidades como Paraisópolis, Heliópolis ou na Rocinha.

O grito do PSDB para que todos vejam a lama do Partido dos Trabalhadores é uma tentativa de esconder a sua própria sujeira localizada nos Estados e, ainda, um movimento ofensivo e agressivo para esconder suas deficiências como uma legenda que não conseguiu se renovar desde FHC, mantendo as mesmas práticas, discursos e o pior: um distanciamento progressivo da verdadeira sociedade brasileira.

 

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18 de maio de 2015 at 22:42

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Surgimento de novos candidatos reforça disputa igualitária em Anápolis

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Definitivamente, 2016 já começou. Pelo menos no cenário político de Anápolis. A prova maior desta antecipação do calendário gregoriano é a movimentação intensa de partidos políticos e seus quadros a fim de conseguirem adesão de simpatizantes a seus projetos políticos. Pessoalmente, para este articulista, a comprovação está ainda na repercussão que nosso artigo anterior despertou: houve uma profusão de comentários, retoques, consertos, emendas, novas versões e teses que antes não tinham sido enaltecidas.

Portanto, a partir desta semana de conversações e anotações com os mais diversos políticos e aspirantes a cargos eletivos, detectamos a necessidade de reavaliar alguns pontos e tecer novos caminhos possíveis para a política da cidade. Assim como o clichê da teoria da mutação das nuvens, tudo é dinâmico e possível. Assim sendo, nossas informações conseguem no máximo gerar uma fotografia do momento.

NO PSDB, surge o nome do ex-deputado e ex-conselheiro do TCE Frederico Jaime. Atualmente, Jaime – que deixou o PMDB para voar ao ninho tucano – é chefe de gabinete de Marconi Perillo e, por isto, pode ser o nome do colete do governador a ser lançado na cidade. O PSDB padece de nomes essencialmente locais, afinal Alexandre Baldy pouco ou nada tem em sintonia com a cidade. Anapolino, Frederico acredita poder reunir os setores mais tradicionais do município, tanto em laços familiares quanto no meio empresarial, em um projeto que traduza o marconismo em Anápolis.

Também vindo do ninho tucano, surge o pastor Victor Hugo Queiroz. O ex-vice-prefeito de Anápolis (esteve ao lado de Anapolino de Faria) e atual superintendente Executivo da Indústria é um nome popular no meio evangélico e tem penetração nos meios empresariais. Queiroz realizou o casamento de Carlos Cachoeira e é atribuída a ele, inclusive, uma suposta conversão do protagonista da Monte CarloEste apoio maciço pode lhe render alguns bons frutos.

Falando em segmento empresarial, uma espécie de liderança do Daia surge com sua pré-candidatura. Trata-se de Edson Tavares, que esteve ao nosso lado em nossa gestão no início dos anos 2000 e que participa ativamente das rodas políticas marconistas. Aliado do também marconista Vander Lúcio Barbosa, Tavares é um exímio crítico da gestão de Antônio Gomide – em seus comentários costuma dizer que Gomide não soube administrar Anápolis com responsabilidade – e também pleiteia espaço entre os prefeitáveis.

Por falar em Vander Lúcio Barbosa, o empresário de comunicação anuncia ter à sua disposição a figura do delegado do Idoso e do Deficiente, Manoel Vanderic Filho. De acordo com pesquisas promovidas por Barbosa, e divulgadas por ele, o servidor da Polícia Civil seria a personalidade civil mais popular de Anápolis e estaria fechado com ele como uma espécie de cabo eleitoral. Segundo Vander, este seria seu principal diferencial. O empresário gaba-se de ter, ainda, mais de 100 pessoas de diversos segmentos sociais trabalhando em prol de seu projeto.

Já no PMDB, quem anuncia sua postulação como pré-candidato é o vereador Eli Rosa. Empresário da Saúde e do meio rural, Rosa afirma estar preparado para reivindicar o espaço pela legenda numa espécie de terceira via da cidade. No entanto, o político não apresenta, pelo menos até o momento, quais seriam seus aliados de peso a fim de capilarizar o seu nome nos setores mais distantes do meio político, ou seja, na massa eleitoral propriamente dita.

Pelo DEM, a popularidade de Ronaldo Caiado como senador e como uma espécie de porta-voz da oposição ao Governo Dilma, a exemplo do que já foi Demóstenes Torres durante o governo de Lula, pode trazer uma sobrevida ao apagado braço democrata na cidade. Assim, o empresário e dirigente partidário do DEM, Carlos Toledo, o Cacai, pode estar iniciando um processo de montagem de uma estrutura para entrar na briga. A presença de Caiado pode ser decisiva para que Cacai comece a dialogar com a população que abraça o discurso da Direita representada por Ronaldo Caiado. A presença de um candidato do DEM também serviria aos interesses do próprio senador goiano na missão de pavimentar seu caminho para as eleições ao Governo em 2018.

Por fim, mas com o peso de fazer toda a diferença, surge na última semana a hipótese de que o próprio ex-prefeito Antônio Gomide volte às origens do Legislativo e se torne um dos candidatos da chapa do PT à Câmara Municipal. Com isto, teria o poder de praticamente arrastar com ele metade das cadeiras, criando um cenário favorável à reeleição de João Gomes. E, em caso de fracasso do projeto ao Executivo, seria ele próprio uma espécie de prefeito paralelo, uma vez que comandaria sozinho toda a base de parlamentares que conseguir levar junto com ele. 

É preciso sempre lembrar que Gomide foi o prefeito reeleito com a maior votação proporcional do Brasil em 2012. A volta dele às disputas eleitorais facilitaria inclusive a definição de seu nome como candidato ao Senado em 2018, quando duas vagas estarão em jogo.

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11 de maio de 2015 at 22:56

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Pela primeira vez em anos, o jogo começa zerado em Anápolis

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Anápolis sempre foi palco de disputadas corridas eleitorais. No âmbito estadual sempre “ditou moda” ou teve seu pensamento próprio em relação a Goiânia ou outros grandes centros eleitorais de Goiás. Por isto sempre chamou a atenção em suas disputas mais localizadas, afinal, durante muitos anos os políticos proeminentes da cidade tinham chance de se projetar para o Estado.

Apesar das dificuldades do anapolino e até mesmo dos dirigentes partidários em organizar e dar focos em suas montagens de chapa proporcionais nas disputas para a Assembleia Legislativa ou a Câmara Federal, sempre colocando mais nomes que o possível e assim dissipando votos e não elegendo candidatos locais, quando o assunto é a disputa municipal, seus grupos políticos funcionam muito bem. E criam um interessante jogo de xadrez político.

Faz tempo que a eleição do próximo ano já começou em todo o Estado. Em Anápolis, um fator diferencial incendeia e antecipa ainda mais a mexida nas peças. O fato é: pela primeira vez em muitos anos, Anápolis promete gerar uma eleição igualitária entre suas chapas majoritárias. Entenda-se por igualdade como a nulidade na relação entre qualidades e defeitos de cada candidato ou grupo político. Ou seja: se há vantagens, há desafios tão preocupantes quanto.

E é justamente nesta régua que os nomes vão se posicionando e daí, a promessa de emoção. Será uma eleição dividida em detalhes a serem analisados, na qual audácia e criatividade podem fazer muito bem. Ao passo que um erro ou uma relutância pode por um projeto a perder.

Dos candidatos possíveis, dos que se movimentam e tomamos conhecimento, ou daqueles que estão já no páreo, tomamos a liberdade de fazer uma análise. São algumas observações a fim de colocar na balança. O leitor faça as contas de qual peso pode haver nestas elucubrações de pros e contras.

O prefeito João Gomes é até o momento o candidato já sacramentado. Com a máquina nas mãos e uma reeleição garantida por lei, deve disputar o que seria seu primeiro mandato como cabeça de chapa. Ao seu favor conta a boa relação com Marconi Perillo, que já aliviou na disputa em 2012 quando Gomide foi reeleito. É Gomide, aliás, o grande trunfo do prefeito: o ex-candidato ao Governo de Goiás é um nome de qualidade como cabo eleitoral entre os anapolinos. Contra João Gomes recai o desconhecimento e a falta de penetração como liderança popular. É um empresário bastante conhecido em seu meio e na sua rede social como ativo membro da comunidade cristã evangélica da cidade, mas precisa de um trabalho de popularização junto às massas.

Um terceiro fator que pode servir como fonte de inspiração ou transpiração está o seu partido e o apoio da presidente Dilma. Há um ano e meio da eleição, a imagem da chefe do Executivo pode ser melhorada e ajudar nas eleições municipais, mas, em não havendo isto, o que pode ocorrer é um comprometimento do trabalho positivo que ele e Gomide fizeram em Anápolis por força dos desgastes do PT nacional.

Nas forças de oposição podem gravitar em torno do apoio maciço de Marconi Perillo diversos quadros, mas com destaque a dois nomes: o deputado federal Alexandre Baldy (PSDB), e o estadual Carlos Antônio, do Solidariedade. Baldy tem a força do novo, é jovem e pode trazer um ar de renovação como um “Marconi de Anápolis”, muito embora esteja distante do brilhantismo da trajetória política que Perillo sempre teve desde os tempos de PMDB Jovem, ao lado de Henrique Santillo. Ao seu lado, o deputado federal pode contar com o efetivo suporte financeiro dos multimilionários Marcelo Limírio, que é seu sogro, e também de Carlos Cachoeira. Este chegou já a afirmar que Alexandre Baldy era seu Golden Boy. Em tempos de crise financeira são definitivamente dois apoios graúdos.

As dificuldades de Baldy estão na política, na popularidade e, principalmente, em provar constantemente que tem ligação com Anápolis. Baldy é um estreante na política com seu primeiro mandato e pode ser que não consiga furar fila de outros postulantes que queiram a vaga ou ao menos negociar posições de vice em outras chapas. É, ainda, um desconhecido do eleitor da cidade, não tendo qualquer contato com a população ou vínculos sociais. Por ser casado com a filha de um vulto anapolino, mantem aqui empresas, mas pouco possui de intimidade. Isto pode ser usado em desfavor.

Enquanto isto, Carlos Antônio corre por fora: não tem apelo com grandes empresários ou uma rede política bem armada, mas possui algo que nenhum outro candidato tem: contato com a população mais carente. Seus trabalhos sociais desde quando apenas radialistas o credenciam a entrar na briga eleitoral nem que seja para dar pitaco. Mesmo assim está longe de ser um top 3 na lista de Marconi Perillo quando chegar o momento de eleger um ungido.

Pelo setor empresarial da cidade, algumas apostas surgem no cenário local. São novatos de urna, mas não de política. O empresário Samir Hajjar, o Samirão, está filiado ao PMDB e tem lançado a ideia de se tornar pré-candidato. Samirão tem chances de conseguir o suporte empresarial, representa famílias tradicionais do município e tem a simpatia pessoal do governador Marconi Perillo. Sua filha é a médica particular da presidente Dilma, o que poderia facilitar em alguns níveis o tipo de incentivo e apoio, mas este é ainda um assunto mais no campo da suposição ainda. O fato é que Samir pode ser um novo capítulo no PMDB, que ainda não escreveu nada após virar a página do casal Santillo.

Ainda do meio empresarial, Vander Lúcio Barbosa, do Jornal Contexto, ao lado de Edson Tavares (Porto Seco) se movimentam nos meios sociais que atingem. Barbosa conta com o Rotary para ganhar notoriedade e penetração nos meios empresariais e nas redes de proteção social existentes e patrocinadas pela organização de líderes. Para o eleitor, é um completo desconhecido, e pode estar se preparando para negociar bem seu passe no afunilamento das candidaturas.

Há ainda nomes já experimentados nas urnas e com carreiras políticas como o ex-deputado e atual vereador Frei Valdair, do PTB, o superintendente estadual Ridoval Chiareloto, a ex-deputada e ex-primeira dama Onaide Santillo. Todos vão certamente se manter orbitando em torno de Marconi Perillo, a fim de esperar algo da composição da chapa de oposição na cidade. Mas pelos desgastes e pela falta de grupos mais consistentes, devem ser coadjuvantes neste cenário.

O fato é que, como disse, a eleição começou em Anápolis.

E você, o que acha destes nomes? Faltou alguém? Opine.

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4 de maio de 2015 at 20:01

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Dez anos de uma farsa

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No próximo dia 19 de agosto completam-se 10 anos de uma das maiores violências à Constituição e ao processo democrático brasileiro ocorrido em tempos recentes no Estado de Goiás. A Cassação sumária do meu mandato como prefeito de Anápolis, democrática e legitimamente eleito, representa certamente o maior ato de truculência ocorrido sob a orquestração de Marconi Perillo, em agosto de 2003 e até hoje permanece sem explicação ou qualquer lastro de fundamentação.

Haja vista que jamais fui condenado na Justiça por qualquer um dos atos atribuídos ao meu mandato. Fui condenado por uma armação política sem que houvesse qualquer outro sinal de comprometimento nas supostas acusações a que me fizeram. Agora, 10 anos depois, a História pode começar a ser remontada a fim de que chegue à superfície todos os interesses relacionados àquele ataque truculento, autoritário, no qual vereadores foram intimidados, cooptados ou mesmo tiveram seus interesses mais íntimos atendidos para que rezassem na cartilha do Palácio das Esmeraldas.

Hoje, observando com distanciamento dos fatos principais e ainda analisando os cenários de Goiás e de Anápolis uma década depois, é possível traçar um paralelo que possibilite a compreensão das ações daquele 2003. Em primeiro lugar, o momento de instabilidade política do grupo liderado por Marconi Perillo. Tudo ainda era uma novidade sob provação e nosso mandato em Anápolis começava a fazer sombra às suas intenções eleitorais de se permanecer por anos na líde política de Goiás. Hoje, vemos Perillo e sua turma há 16 anos no poder. Minhas declarações afirmando que cogitava, sim, uma candidatura ao Governo nas eleições seguintes, ainda em 2001, caíram como uma bomba aos interesses marconistas. E este foi o primeiro alerta para comandar um ato de violência política como aquele.

Marconi Perillo 2Em seguida, há um curioso fato que pode ser comparado com nossos dias atuais: a questão da água. No início da década passada, Anápolis padecia de um problema crônico de abastecimento de água. A empresa estatal goiana, responsável pelo gerenciamento destas ações, a Saneago, tinha dias de sucateamento e abandono na cidade. O dinheiro arrecadado em Anápolis era usado para fazer obras em outros municípios enquanto, anos após anos, o anapolino pagava para não ter água em alguns meses do ano. Nós, da gestão municipal, depois de muito reivindicar, anunciamos o início de alguns estudos a fim de municipalizar a água da cidade. Ou seja: teríamos controle de gestão e de aplicação de obras para a cidade.

Isto representaria a perda de milhões de reais anuais que são usados para fazer política. O dinheiro do anapolino para a água é usado para festas, shows e obras em outras cidades. Sabíamos disto em 2002 e hoje, em 2013, reportagens de O Popular mostra a mesma situação: a Saneago custeia festas enquanto o atual prefeito precisa ir à presidência da empresa para cobrar a finalização das obras já iniciadas e abandonadas na cidade. A questão, portanto, está longe de ser nova. À época, o governador era Marconi. E hoje, ainda é o mesmo. O que nós fizemos foi afrontar esta fonte de renda politiqueira do Governo de Goiás sob o comando de Marconi Perillo.

O resultado foi o início de uma ação ditatorial, autoritária, que nos impedisse de devolver ao anapolino o dinheiro que ele paga para a Saneago não realizar obras na sua rua, no seu bairro e na sua cidade. Com isto, a construção falsa de um “caos administrativo”.

Ao longo do tempo, nós combatemos algumas das empresas e grupos político-empresariais que mandavam dentro da prefeitura. Como cheguei ao comando municipal sem amarras e combinações políticas ou financeiras, não tinha qualquer compromisso em manter os esquemas que lá havia. No momento de desacordo com o Governo Estadual, foram estes grupos que se aliaram à vontade e aos interesses do Governo para organizar este sentimento de caos.

Com a intervenção orquestrada por Marconi Perillo e executada por seu fantoche político, Alcides Rodrigues (que depois tornou-se governador e, uma vez sem utilidade para Marconi viu-se traído e abandonado), o “caos”  criado poderia ser combatido. Para isto, o Governo promoveu um atitude que sairia cara a Anápolis: a antecipação de receitas a fim de despejar dinheiro em obras e ações administrativas. A ideia era uma só: mostrar ao povo que havia dinheiro em caixa e que não acontecia nada na cidade por conta de uma má gestão. Após a saída de Alcides e com o ingresso de Pedro Sahium – que foi um dos agentes desta traição política ao se rebaixar à condição de um funcionário do Palácio das Esmeraldas – Anápolis mergulhou na inanição. Continuamos sem dinheiro, sem apoio, sem obras e sofrendo dos mesmos problemas como o da água, até hoje.

Anápolis somente conseguiu romper com este modelo de dependência do Governo do Estado pela ação perspicaz do atual prefeito, Antônio Gomide, que bancou uma bem sucedida aliança com o Governo Federal, sem necessitar passar por submissões e as humilhações políticas com o atual gestor do Estado. Este rompimento representa à cidade uma nova refundação, o dia em que deixou de ser um quintal de Perillo e seus aliados.

Marconi Perillo é vil em suas ações políticas. É violento. Seus adversários e seus aliados enxergam isto, uma vez que sua política é toda baseada na cooptação – exemplo do que foi feito com o PFL de um dos seus ex-principais aliados, Ronaldo Caiado – e uso da força de forma desproporcional. Aconteceu em Anápolis, no qual ele não somente realizou a cassação de um inimigo, mas deixou na cidade um legado de atraso de mais cinco anos ao jogar a gestão municipal no colo do desastrado prefeito Pedro Sahium, cujos números e o legado falam mais do que qualquer julgamento ocorrido neste artigo.

A atitude de Marconi Perillo e todos os seus asseclas que o seguiram nesta sandice rasgou a Constituição e impôs a Anápolis a condição de bairro de Goiânia ao interferir daquela forma na vontade eleitoral, sublimada pelo voto. No entanto, hoje, o anapolino e o povo de Goiás começam a compreender quem de fato se trata Marconi Perillo e quais as suas intenções ao querer se perpetuar no poder por quase duas décadas. O tempo ainda há de revelar muito mais sobre algumas passagens desta política nefasta que ainda permanecem às sombras.

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15 de agosto de 2013 at 18:33

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Governo Federal desafia casta do jaleco e promove revolução na Saúde

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Médicos estão esperneando. Este é o termo. Pelas redes sociais, profissionais despejam críticas, ataques e até mesmo falam em ditadura e serviço civil obrigatório. Inventam teses para destituir a lisura do programa “Mais Médicos” que prevê a contratação de profissionais de outros países, sobretudo, da Espanha e de Portugal. Igualmente atuam as entidades classistas e representativas, que prometem ir à Justiça para barrar a extensão do curso de seis para oito anos com os dois últimos dedicados a atendimento público.

Mas, no meio disto, e os brasileiros, onde estão?

O que necessitam de atendimento na rede pública – e não nos rincões brasileiros, mas muitas vezes nos horários de emergência em postos de saúde dentro de grandes e médias cidades e… não tem médico. Cadê o plantonista? Onde está o responsável? Não há médicos. E quase sempre pelas mesmas razões: está em casa, esperando que, caso seja necessário, alguém o acione. Ou, mais comum ainda: a vaga não foi preenchida porque os salários não são tentadores aos profissionais que optam por trabalhar na rede privada e ganhar muito mais. Isto, levando-se em conta de os salários giram em torno de valores bastante acima dos demais profissionais da estrutura pública, muitas vezes, equiparando-se ao primeiro escalão dos governos municipais. Mesmo assim, não é tentador o suficiente.

A coragem do Governo Federal e da presidente Dilma tem potencial para revolucionar a Saúde em poucos anos. A chegada de profissionais formados na Europa e em busca de trabalho e oportunidades é a chance que temos em colocar o médico onde há demanda. É no Brasil menos visitado e mais carente que está a necessidade. Com salários de R$ 10 mil, podemos trazer profissionais que hoje padecem da falta de mercado em seus países atravessando crises. Para nós, historicamente, isto representa a quebra de um sistema de castas dos mais antigos e perniciosos do Brasil: a Casta do Jaleco.

Mais do que representar um status profissional intocável, através de um processo histórico, a classe médica tem evitado o contato com o serviço público e as áreas carentes para se dedicar ao atendimento especializado na rede conveniada ou particular. Enquanto isto, vai se evitando também o Juramento de Hipócrates e dedicando-se às plagas mais rentáveis do atendimento hospitalar.

O projeto que prevê a partir de 2015 o aumento de seis para oito anos no curso de Medicina não é uma invenção à brasileira. Países como Inglaterra e Suécia o utilizam e tem, também por isto e outras ações, um dos serviços públicos de Saúde mais avançados. Aqui, fala-se em exploração e serviço obrigatório. Lá, chama-se: compromisso e Cidadania. A chiadeira não poderia ser mais representativa do que uma nobreza social e científica se rachando e o povo sendo misturado aos nobres em nome da Justiça Social e do avanço da Saúde no país.

Como gestor, enfrentei dificuldades na cidade de Anápolis. Quando prefeito, colidi com políticas promovidas por grupos empresariais ligados à Saúde e comandados por médicos. Sofri retaliações e fui perseguido politicamente. Hoje, vejo uma visão diferente, mas percebo que a atual gestão naquela cidade passa por algo semelhante: tem vagas, salários atrativos a qualquer outro profissional de quaisquer áreas, mas padece com a ausência de médicos que desistem de atuar porque salários de R$ 6 mil, R$ 8 mil (em algumas prefeituras da região Norte do Brasil, chega-se a R$ 30 mil) não são lá muito tentadores.

Com os estudantes necessitando do estágio em campo nestes novos dois anos gera-se, antes de tudo, Saúde a todos os necessitados e, em seguida, uma formação ainda mais aprimorada e mais qualificada voltada para o humanismo e a compreensão da necessidade humana da população carente. Após estes dois anos teremos profissionais de Medicina mais sintonizados com a realidade brasileira e com o próprio valor humano e não somente máquinas de produzir conhecimento e riqueza.

Abrem-se, portanto, as cortinas de uma nova Saúde no Brasil. E o barulho produzido em contrário são tão-somente as amarras da Evolução sendo arrebentadas e a ferrugem do velho poluindo discursos em contrário.

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10 de julho de 2013 at 19:35

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Pandora das Esmeraldas

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Goiás amanheceu esta semana com os gritos apaixonados de um homem que oferta a própria vida para defender a honra de sua mulher. Um artigo assinado por Carlos Cachoeira na edição de segunda-feira no jornal Diário da Manhã mexeu com muito mais estruturas que corações apaixonadamente dilacerados por uma ofensa vinda de órgãos públicos. Cachoeira se sentiu ofendido com o fato de chamarem sua mulher de penetra numa festa promovida no Palácio das Esmeraldas, na qual ela foi convidada – e pagou pelo ingresso ao evento beneficente.

Ao mirar os algozes do seu amor, Cachoeira acertou em cheio aos segredos mais íntimos e secretos do Governo de Goiás sob o comando de Marconi Perillo. O saquinho de coisas mal cheirosas o qual é impossível se desfazer e a única saída é guarda-lo num local que não incomode quem está mais perto foi mexido e remexido e de seu odor pútrido de origem desconhecida, saíram os aromas que remetem à Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Que remetem às ligações telefônicas na qual Marconi Perillo, o governador de Goiás, se coloca como amigo de Carlos Cachoeira e o indaga: faz festa e não chama os amigos?

Os ‘amigos’, agora, parecem em pé de guerra. Pelo menos de um lado, o lado do homem que viu sua mulher ser achincalhada numa festa realizada na intimidade do poder. Uma intimidade que Cachoeira deu todos os sinais de conhecer muito bem. Talvez até dar a sua contribuição para mantê-lo assim, quem sabe? Andressa Mendonça postou uma foto de dentro do palácio. A assessoria disse que ela era penetra. O circo, então, pegou fogo.

Carlos Cachoeira passou oito meses preso, foi escrachado, tornou-se inimigo número um do Estado. E aguentou tudo sozinho. Mas não suportou ver a amada tratada como uma ‘penetra’ numa festa de bacanas. Logo ele e ela, que possivelmente já estiveram próximos de muitos personagens que hoje insistem em negar seu convívio, renegam o passado e a tratam como “penetra”.

Não, Carlos Cachoeira não admitiu isto e, como qualquer homem que defende sua mulher e sua família, partiu em um ataque passional, aquele no qual não se medem esforços e tampouco consequências. Foi a campo e chamou Marconi Perillo para “cair pra dentro”. Chamou ao embate e deu a opção ao mandatário da casa onde Andressa foi vista pela última vez como “penetra”: escolha suas armas, disse ele.

Fez mais, ainda. Para provocar a ira do seu inimigo, agora figadal, disse impropérios. Chamou seu governo de “Governo composto de bandidos” e questionou a origem da bandidagem: está no cerne do governo ou na periferia da administração? Cachoeira tinha sangue nos olhos e a fé dos apaixonados. E chamou o adversário ao embate. Ou, como ele poderia dizer no artigo, “chamou pro pau”.

E nada. Nada de Marconi, nada de ninguém do “governo composto por bandidos” (grifo feito da fala de Cachoeira, a gente aqui não sabe de nada). Ninguém, passados quatros dias, sequer se manifestou de tamanho impropério.

Cachoeira fez uma ameaça aberta, pública, quase uma convocação: não o façam abrir a caixa de Pandora, a que pode revelar coisas inesperadas. A Caixa de Pandora é uma alegoria antiga da mitologia e ligada aos Deuses. Em Goiás, com o envolvimento de parceiros de festas, jantares e negócios da Operação Monte Carlo não há espaço para mitologias e nem deuses. A caixa de pandora é na verdade o saquinho de coisas fedidas que insistem em dizer que não existe, mas só de pensar nele já é possível sentir seu desagradável odor.

Portanto, que se abram a Pandora das Esmeraldas. Que se revele a origem do mal cheiro que volta e meia este Governo é lembrado por exalar. Que Marconi Perillo devolva a agressão recebida em defesa de sua honra de político sério, honesto e homem que não aceita ser chamado de bandido. E que o Ministério Público acione os envolvidos para saber quais são os segredos que esta caixinha de pandora segrega e que também recorrentemente é lembrada como instrumento de ameaça.

E que o evento filantrópico que considerou Andressa Mendonça uma penetra seja lembrado como o dia em que o povo de Goiás foi filantropicamente brindado, enfim, com “a verdade sem mentiras”.

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13 de junho de 2013 at 16:11

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A falta de prioridades do MEC para gerir a Educação nacional

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Em uma nota de registro tímida e acanhada, a Folha de S. Paulo informa ao Brasil uma decisão no mínimo polêmica e que, na análise de quem vive a realidade da Educação Nacional há mais de três décadas, soa como uma lamentável afronta no que podemos chamar de falta de prioridade no desenvolvimento da Educação no Brasil. As informações dão conta de que o Ministério da Educação firmou uma parceria com diversos países do continente africano com o objetivo de investir no ensino superior em alguns países.

O projeto prevê financiamentos do MEC para que universidades brasileiras abram frentes de trabalho nos países a fim de desenvolver o ensino na região. Até o momento, vinte universidades nacionais, entre elas Universidade de São Paulo e a Universidade Federal de Minas Gerais, enviarão professores e pesquisadores para instituições de cinco países africanos e um asiático, todos de língua portuguesa. Nossos professores e nossa estrutura será instalada em países de língua portuguesa como Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe.

A idéia, inicialmente, tem como pretexto a Educação para inserir nestes países um conceito de proximidade comercial e cultural. Tudo isto pode a médio e longo prazo otimizar as relações de exportação e a abertura de novos mercados para o Brasil nestas regiões. Seria a ideia perfeita, caso nós, brasileiros, fossemos minimamente atendidos no padrão educacional dentro de nossas cercanias. No entanto, com a realidade que enfrentamos, esta ação soa como um assombro, uma ofensa e, em última análise, uma demonstração da falta de prioridades do MEC para a realização de um projeto que gere excelência no ensino brasileiro.

A reportagem da FSP dá conta que, por meio da Capes, serão financiados 45 projetos, que custarão R$ 6 milhões – pouco menos de 10% do que a pasta deve gastar neste ano com bolsas para alunos nas universidades brasileiras. Este dado, em nossa avaliação, não soa como um “negócio em conta”, mas ao contrário: como a perda de oportunidade de reinvestirmos 10% mais na expansão da nossa rede de bolsas para brasileiros.

Enquanto o MEC adota uma política expansionista, reinventando o que pode-se chamar de uma Campanha das Grandes Navegações para a Educação, nós ainda padecemos de investimentos, muitas vezes, em quesitos básicos, primordiais para o desenvolvimento educacional. Há universidades lutando pela sobrevivência, há cursos claudicantes. Isto sem falar nas faculdades e universidades privadas.

Falo, agora, como gestor de uma das mais tradicionais instituições de São Paulo, com mais de 40 anos de existência, cujas dificuldades de gestão foram somente pioradas com a intervenção do MEC. Agora, receber a informação de que enquanto lutamos para educar e nos mantermos no mercado educacional brasileiro, o mesmo MEC atua para beneficiar mercados internacionais e desenvolver o ensino em países africanos.

Em meio à necessidade de expandir o crescimento nacional – o que é louvável e necessário para um país que quer protagonizar ações ao redor do globo como o Brasil tem se manifestado – no entanto, obter o mínimo de investimentos e resultados internos é o passo fundamental para a soberania na Educação. Acreditamos que é através dela ser possível galgar os passos da excelência e da ostentação internacional.

Written by O Autor

6 de junho de 2013 at 20:08

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