Blog do Ernani de Paula

Empresário, ex-prefeito de Anápolis (GO) e sempre atento à política

O ódio a nossa volta 

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A humanidade vive de saltos. Seguimos em uma tendência, numa determinada direção muitas vezes em ritmo lento e, de repente, damos um traumático salto. Assim funciona em diversos segmentos da nossa existência, mas, sobretudo no campo social, há nitidamente um trampolim que nos faz alçar outros degraus do comportamento. Isto é evoluir.

O comportamento é dinâmico e alterna entre opostos com facilidade. O que não é exatamente fácil é o ato da conquista de passagem de um extremo a outro. Isto quase sempre se dá de forma agressiva, seja em vias de fato ou mesmo pela eloquência de seus ativistas e defensores. Assim ocorreu no processo de aceitação das mulheres na política no início do século passado. Até as eleições de 1933 no Brasil, nosso país sequer considerava as mulheres como capazes de fazer escolhas políticas. A revolução sexual, a Primavera de Praga, os sutiãs queimados em nome da liberdade sexual das mulheres, o movimento do pacifismo por todo os Estados Unidos nos anos 1960, que tiveram o seu auge na Guerra do Vietnam e deixaram como legado artístico-social o movimento hippie, tudo isto representou um salto de qualidade e evolução no estilo de vida ocidental. Foi por intermédio deles que hoje somos mais humanos, mais decentes e com mais respeito.

E curiosamente ainda nos falta muito porque o tempo todo novas demandas surgem. Assim como um dia a sociedade descobriu o absurdo que era manter pessoas em regime de escravidão selecionadas somente pela cor da pele, houve quem insistisse em defender a ideia original e encontrar sentido em, sim, manter homens e mulheres trabalhando de forma desumana e não remunerada, sendo açoitada como animais selvagens.

E é isto que atualmente vivemos: o açoite social aos gays. O imenso e real movimento social LGBT é uma muito mais do que uma estatística ou um grupo de gueto que pode ser a qualquer momento empurrado de volta aos becos e às sombras. Mesmo assim, há quem se posicione contrário ao civil, legal, de suas demandas. Assim como em diversas outras situações, nossa sociedade é convocada e aceitar e reconhecer mudanças, novidades, novos padrões de comportamento que, inéditos, surtem em alguns a necessidade de rechaçar. Um esforço tolo, tendo em vista que o a História mostra que com o tempo os movimentos do Novo sempre vencem o atraso.

O que chama atenção nos dias de hoje é algo particular da modernidade do nosso tempo. A impressão que se tem é jamais fomos tão modernos em nossos meios, e tão antiquados em nossos comportamentos. Temos a internet e um sistema ágil de comunicação e diálogo. E, no entanto, o usamos para disseminar ódio e fundamentalismo, principalmente o religioso.

Acima de tudo, temos dado voz aos radicais, abrigo ao discurso irracional de pelo menos dois séculos atrás quando nos embasávamos numa vida limitada e sem quaisquer conhecimentos. O uso da religião tem sido mal aplicado como forma de manipulação há séculos e parece que hoje, no arauto da nossa modernidade, nos tornamos reféns de artimanhas antigas e perigosas, que pregam muito mais o ódio que a tolerância.

Os recentes e recorrentes acontecimentos de perseguição a gays, ameaças e outras deformidades do caráter que surgem pelas redes sociais nos colocam como bestas numa sociedade que pede para ser renovada. O aditivo deste comportamento são discursos de líderes religiosos ou políticos – quando não os dois – calcados no ódio, na segregação em nome de Deus, em nome da defesa da família como se o exercício individual da vontade de cada um fosse forte o bastante para alterar a vida do vizinho.

O fato é que o Novo sempre vence e as mudanças podem ser retardadas mas jamais impedidas. O que nos resta como integrantes de uma sociedade é resgatar o que ainda carregamos de bom senso e compreender que a concessão de liberdade individual, seja sexual, política ou comportamental, aos outros é na verdade um grande gesto de altruísmo, respeito e amor. Como na mensagem da campanha lançada nos Estados Unidos na última semana após a suprema corte daquele país liberar o casamento civil de pessoas do mesmo sexo: #LoveWins. Ou seja: o amor prevalece e vence. Sempre.

As manifestações do novo estão por toda a parte e hão de imperar. O que temos de fazer é pensar com mais amor e respeito e calar sempre o ódio que ronda a nossa volta.

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30 de junho de 2015 at 1:44

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O esquema silencioso do MEC que compromete a “Pátria Educadora”

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Os rolos no Brasil além de ser endêmicos e democráticos – afinal, atingem todos os setores e esferas da gestão pública – parecem também estar interligados numa espécie de confraria da corrupção. A impressão que se tem é que mesmo o trabalho inequívoco e implacável do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, nosso ainda está distante de sanar ou pelo menos dar um grande golpe nos diversos esquemas que estão em curso.

Recentemente a Revista Istoé apontou em reportagem as ligações de um esquema para desvio de verbas da previdência dos Correios e da Petrobrás na estratosférica quantia de R$ 100 milhões. O depoimento-chave, no entanto, é de funcionário de um grupo educacional, de nome Galileo Educacional, cuja criação originou no seio do grupo criminoso para realizar uma única função: escoar os recursos dos fundos.

O esquema da Galileo não funcionava de forma isolada. Como universidade, demandava autorizações e a parceria efetiva do Ministério da Educação. Tanto para sua atuação oficial, quanto para as atuações às sombras no mundo do crime. E assim foi feito. Segundo a investigação da PF, o grupo Galileo foi montado para abarcar outras universidades brasileiras que passavam por dificuldades financeiras. Foi o que aconteceu com a aquisição das Universidades Gama Filho e UniverCidade, ambas no Rio de Janeiro.

A operação foi montada com base em interesses do esquema criminoso e sem qualquer critério técnico. Para isto, contavam com a ajuda interna de um alto executivo do MEC que tocou internamente os processos, sabe-se lá a que custo. O dinheiro, em vez de ser aplicado nas universidades, teria sido desviado para um emaranhado de empresas e depois, segundo o delator, remetido a políticos como Renan Calheiros, Lindbergh Faria e Luiz Sérgio. Em pouco menos de um ano, o MEC descredenciou boa parte dos cursos de ambas universidades e os fundos arcaram com o prejuízo. Estava montado o esquema de desvio cujo prejuízo ficava com a vítima: os cofres públicos.

“Os envolvidos montaram todo um simulacro com aparato administrativo, financeiro e jurídico para angariar recursos em uma estrutura que não tinha qualquer comprometimento com a proposta educacional”, afirma o delegado Lorenzo Pompilio, que comanda o inquérito, em entrevista à Istoé.

Em procedimento ocorrido dentro do MEC, envolvendo técnicos semelhantes a estes que estão que hoje estão enrolados com a Galileo, foi feito o descredenciamento de outra universidade, a São Marcos, que foi fundada e gerida por mais de 30 anos por minha família. Nossas tentativas de negociação ao longo dos anos em que necessitamos de adaptações ao mercado junto ao MEC foram infrutíferas. E não foram poucas as oportunidades em que suspeitamos e até mesmo denunciamos atitudes e condutas suspeitas deste profissional e sua equipe. À época realizei uma série de denúncias sobre a conduta, todas sob análise da polícia. A impressão que se tinha era a de que havia um interesse muito severo para que a São Marcos, a exemplo de outras universidades, também seguisse o mesmo caminho das cariocas Gama Filho e da UniverCidade.

O esquema ainda está sendo investigado e deve promover novos capítulos, mas agora já sabemos que há uma nova porta de escoamento de recursos da Pátria Educadora, com o intuito de abastecer grupos criminosos e políticos pelo Brasil afora.

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23 de junho de 2015 at 21:25

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O novo apartheid da Internet 

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Diante dos sucessivos acontecimentos nacionais e as reações por toda a rede, é de se parar para refletir sobre como nós, brasileiros, temos nos comportado uns com os outros, através do processo de formação de sociedade. A construção de uma pátria é uma atividade perene e com uma dinâmica imparável. Estamos o tempo todo mudando, adaptando, crescendo, atualizando conceitos. No entanto, causa espanto perceber que, aparentemente, estamos – agora – numa espécie de espiral de intolerância generalizada.A primeira dúvida que surge é no tocante ao radicalismo e à agressividade. Pelas redes sociais, surgem avalanches de discursos raivosos. Mais do que ter uma opinião ou um posicionamento, no geral, temos lido e acompanhado manifestações de ódio. O que ainda não dá para compreender é se a internet nos fez assim, corajosamente furiosos, ou se a força da comodidade do anonimato é que nos permitiu revelar o que realmente fomos. O fato é que, pelo menos ideologicamente, estamos digladiando e nos matando como sociedade.

Por conta dos embates da política eleitoral, criamos um grande muro sócio comportamental no qual dividimos o mundo em “nós” contra “eles”. A maturidade democrática, que nos demorou tanto a chegar, parece que tem mais nos feito mal que o bem esperado. Assim como em diversas democracias pelo mundo ocidental, a polarização em duas agremiações partidárias e ideológicas é uma tendência natural. Só que por aqui, no Brasil, tem criado um muro de Berlim repleto de ódio e discriminação. Estamos perdendo a chance de dialogar para tão-somente nos odiar uns aos outros.

O acréscimo do perigoso tempero religioso na política dá um sabor de veneno nas relações. As constantes aparições de líderes religiosos controversos como Silas Malafaia em debates sociais e políticos somente causa confusão às pessoas. É, quase sempre, um discurso de incitação ao ódio e à segregação. Curiosamente, na exata contramão dos mandamentos do Cristo, que morreu implorando pela comunhão dos homens na Terra.

Já não temos nomes ou identidade. Politicamente, somos Petralhas ou Coxinhas. Causamos um reducionismo tolo, pueril e sem conteúdo no qual conseguimos comprometer trajetórias geniais como a do humorista e entrevistados Jô Soares. O maior showman do Brasil, agora, tornou-se um idiota, vendido ou qualquer outro adjetivo ofensivo somente por ter feito uma entrevista com a presidente da República. Estamos insistentemente querendo cercear os valores democráticos e até mesmo do jornalismo. Se for contra o que pensamos, deve ser sumariamente tolhido. Isto não é democracia, é autoritarismo conservador.

E diante disto, estamos cada vez mais intolerantes com o diferente de nós. Se já tínhamos dificuldade em aceitar o diverso, agora criamos uma espécie de milícia virtual, cujos agrupamentos vivem para defender a supressão de movimentos sociais reais, como o LGBT. Há uma guerra contra gays em geral, defendida por gente de batina, de gravata ou de avental. A internet é o grande panfleto da discriminação. E achamos que, com isto, estamos preservando valores familiares. Na verdade, estamos apenas ensinando às novas gerações a incitação ao cultivo do ódio.

O anonimato do sofá dos ativistas de Facebook incentiva a coragem pela manifestação do preconceito e o fim do diálogo. Assim com discriminamos gays ou políticos de esquerda ou direita, acabamos por repetir outros preconceitos do passado, como o racismo do apartheid ou a recriminação dos direitos das mulheres que há menos de 100 anos sequer podia votar no Brasil. Repetimos preconceitos e nos separamos em castas imaginárias, mesquinhas. Terminamos por esquecer que no mundo real, fora do “curtir” e “compartilhar” ainda somos o que sempre fomos: seres humanos, os mesmos homo sapiens sapiens de sempre.

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16 de junho de 2015 at 11:49

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O cenário silencioso dos proporcionais

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Enquanto todos os holofotes e informações de bastidores miram nos preparativos cada vez mais precoces da sucessão municipal de Anápolis, há ainda uma série de movimentações bastante silenciosas, mas não menos importantes, envolvendo grupos políticos e quadros partidários com vista à conquista de uma vaga na Câmara Municipal no próximo ano.

Com orçamentos naturalmente mais tímidos que as postulações majoritárias, a disputa proporcional ainda vive sob algumas suspeitas vagas quanto à mudança da lei eleitoral acerca de coligações e outros detalhes. É cada mais distante a possibilidade de haver troca nas regras do jogo, mas mesmo assim, candidatos à reeleição e estreantes já trabalham por toda a cidade na organização de pré-campanhas. Um dos erros recorrentes é desprezar este tipo de movimentação, tendo em vista que as campanhas proporcionais podem acabar sendo a grande base para as disputas dos majoritários.

Em um cenário como o que já observamos em Anápolis, no qual há uma profusão de grupos com ausência de grandes nomes definidos, a organização da base das chapas com os candidatos a vereador se tornam ainda mais importantes. São estes nomes os responsáveis pela divulgação feita no corpo-a-corpo com o eleitor.

Para o próximo ano, não deverá haver uma grande mudança no cenário de renovação dos vereadores. Alguns nomes hoje presentes na Câmara Municipal de Anápolis são os chamados “pule de dez”, ou seja, mais de um ano antes do pleito já estão com sua reeleição garantida. É o caso do veterano parlamentar Mauro Severiano que além de ser acostumado a fazer campanhas ainda é um dos edis mais atuantes e em sintonia com a população da cidade. Nomes que representam ainda clãs tradicionais na política, como o jovem e estreante vereador Amilton Filho, herdeiro político de seu pai, o ex-presidente da Câmara Amilton Batista, não deve ficar de fora da próxima legislatura.

Compete ainda registrar que o desgaste generalizado das organizações políticas e dos políticos de carreira, por assim dizer, em alcance nacional pode fortalecer o surgimento e ascensão de um novo tipo de candidato: o não-político. É possível que não somente em Anápolis, mas em outras unidades da federação ocorra um apelo especial dos candidatos sem lastro político e com origens em outras de atuação profissional. Seria a vez de empresários, lideranças comunitárias, profissionais liberais e, principalmente, líderes religiosos. No discurso: o combate às práticas políticas atuais, ao sistema eleitoral e até mesmo o ataque a partidos políticos. Tudo em nome da busca por um espaço de representação da população.

Mas, quando ainda são levados em conta os partidos da cidade, legendas tradicionais e de grande estrutura nacional vivem momentos distintos, ainda que concentrem em seus quadros nomes com potencial de angariar votos. O desafio fica por conta do PT que nas eleições de 2012 chegou à incrível marca de seis candidatos eleitos e que desta vez, ainda que ocorra um sucesso da reeleição de João Gomes, conseguirá repetir o feito.

Já o PSDB possui apenas dois representantes hoje na Câmara e tem como principal meta ampliar seus quadros. Neste caso, o surgimento de uma candidatura majoritária é decisivo para o PSDB amplie seus eleitos a partir de 2016. O tímido PSC, que hoje tem quatro representantes, também irá enfrentar o desafio de conseguir repetir o feito de 2012.

O fato é que, à sua maneira, partidos e candidatos já começam a trabalhar silenciosa e intensamente, em busca do espaço no cada vez mais concorrido espaço político de Anápolis.

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9 de junho de 2015 at 1:01

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Marconi dá a senha para 2016 e 2018

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O governador Marconi Perillo parece ter renovado seus votos de amor pelo PSDB de Goiás. Depois de movimentos de aproximação do governo federal, no qual elogiou a presidente Dilma e até mesmo a blindou em sua passagem pelo Estado, Perillo deu duas declarações neste fim de semana que rendem mais do que meras aspas.A primeira delas é a de que não pretende sair do PSDB para disputar qualquer tipo de cargo. Com isto, o governador sepulta os rumores de que estaria negociando a sua ida a uma nova agremiação partidária na tentativa de obter mais espaço. Assim como qualquer outro quadro tucano que não seja de São Paulo – ou o Aécio Neves, que é de Minas Gerais – Marconi sofre os efeitos da marginalização que o partido promove junto aos seus nomes qualificados. Em geral, tucanos de outras regiões tem apenas a missão de aplaudir e trabalhar os paulistas nas disputas presidenciais, seja na cabeça de chapa, seja na vice.

Por isto que, não é de hoje, surgiram rumores de que Marconi estaria negociando com o PSD sua migração à legenda com vistas a entrar no debate de montagem de uma chapa para as próximas eleições. Havia quem fosse ainda mais longe de imaginasse que Perillo tentasse uma aproximação não somente administrativa, mas política com Dilma com vistas a 2018.

A declaração do governador põe um fim a tudo isto. Pelo menos por agora, uma vez que, assim como qualquer político, Marconi Perillo não tem que manter a palavra até o fim. Se a política é mesmo como as nuvens no céu e a cada hora tem um desenho, ele mesmo pode repintar seu quadro partidário.

Com isto, Marconi sinaliza para dois caminhos: é um soldado fiel do partido que pode se contentar em ser sempre coadjuvante ou tem algo assinalado em sua direção que ainda não foi dito. No caso da primeira hipótese, Perillo terá de se contentar em deixar o Governo de Goiás e se tornar novamente senador – o que cá entre nós não é pouco para um “prêmio de consolação”.

Já na segunda hipótese, em caso de uma mensagem do alto tucanato sigilosamente assoprada em seus ouvidos, Marconi Perillo pode ter ouvido um “talvez” de tucanos graúdos que comandam a legenda dizendo que, sim, ele pode entrar nos debates acerca da disputa de 2018. Ao que tudo indica, contra o ex-presidente Lula.

Não é imaginável que Marconi possa ser candidato à Presidência da República. Como zona eleitoral, Goiás é praticamente nula, tendo quase 3% dos eleitores da nação, e pessoalmente Marconi não possui qualquer tipo de reverberação de sua imagem além das cercanias goianas. Já como postulante do espaço de vice, Perillo teria muito a somar: foi governador por quatro mandatos em seu Estado, foi senador e não perde uma eleição estadual há 20 anos. Um currículo administrativo e político bem mais representativo do que os que já foram escolhidos em situações anteriores pelo PSDB.

A segunda declaração de Perillo é quanto a disputa de Goiânia. Com a eleição do presidente metropolitano do PSDB, Perillo deixou que divulgassem um sentimento seu sobre 2016: a vaga do PSDB na cabeça de chapa é “inegociável”. Outra pontuação que sem dúvida gera desmembramentos. O imediato é enterrar eventuais aspirações de aliados em furar a fila. Quadros dos partidos aliados mais profundos até os que apareceram só por agora, como Vanderlan Cardoso, tomam um banho de água glacial. Se havia alguma sorte de esperança em obter o apoio do tucano-mor de Goiás para a eleição de Goiânia, agora, só chegando ao segundo turno com um oponente fora da base.

Outro ponto curioso é que, com isto, arvoram-se os projetos dos tucanos. Diante da sinalização do chefe, é dada a largada para que grupos políticos debatam internamente e se organizem em chapas e nomes. Alguns dos quadros mais lembrados são o dos deputados Fábio de Souza, Giuseppe Vecci, Delegado Waldir, além do presidente da Agetop e fiel escudeiro de Perillo, Jayme Rincon.

Destes, vantagem para os dois menos conhecidos em termos de penetração social e política: Vecci e Rincon. E isto se dá pelo perfil atual da gestão praticada por Paulo Garcia, que vem sendo bastante questionada pela população. Um administrador com perfil político como Garcia, colocado no posto por outro calejado político como Iris Rezende, pode fazer com que o eleitor desta vez opte por um nome com estilo menos político e mais administrativo, um realizador como Jayme Rincon, tocador de obras por tantos anos na Agetop, ou um administrador nato, como Vecci, cuja trajetória é marcada pelo planejamento do Tempo Novo, desde a sua concepção.

O fato é que o ano político de 2016 e também o de 2018 começa a ser desenhado agora. E as declarações políticas de Marconi Perillo inauguram uma parte desta movimentação por parte da base aliada.

 

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1 de junho de 2015 at 21:51

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Anápolis, o gigante adormecido

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Anápolis é proporcionalmente muito maior que o Estado de Goiás. Como polo administrativo, gerador de riquezas e renda, o município concentra em seu espaço capacidade incomum de desenvolvimento e crescimento econômico e industrial. Enquanto Goiás tem regiões de grande avanço e gargalo sociais e financeiros, que dependem totalmente do amparo estatal para a sua subsistência, Anápolis é um oásis financeiro ligando duas capitais brasileiras.Alguns números antigos e atuais mostram o quando a cidade vem avançando e é preciso reconhecer que as gestões da cidade serviram como um facilitador deste potencial de crescimento. O investimento na área social promovida pelos últimos governos contribuiu para que não somente os números de cifras e crescimento econômico, mas também para a geração de qualidade de vida e otimização do cotidiano do anapolino nos seus bairros, nos ambientes sociais que frequenta.

Na Saúde, por exemplo, Anápolis recebeu em 2014 pouco mais de R$ 121 milhões. Este feito é decorrente do processo de municipalização da Saúde, a qual tenho orgulho de apresentar como um grande feito de minha gestão à frente da cidade. No primeiro ano que estive no gabinete municipal, Anápolis recebeu R$ 4 milhões, o que a mantinha totalmente dependente de contribuições e de “humilhações” político-administrativas junto ao Estado. Em 2001, o orçamento recebido por mim do governo anterior era de pouco mais de R$ 90 milhões. E hoje ultrapassa a casa do bilhão.

Este cenário ajuda a nos mostrar a relação de independência financeira e industrial da cidade em relação ao Governo do Estado. É uma realidade que, no entanto, há quem tenha o claro interesse de não permitir que todos enxerguem porque manter Anápolis como um quintal de Goiânia – ou do Palácio das Esmeraldas – é mais vantajoso a grupos políticos que comandam Goiás há 16 anos. Isto porque mesmo com todas as potencialidades e números crescentes, o Governo de Goiás mantém uma política equivocada na cidade.

Ainda seguindo o exemplo da Saúde, a gestão estadual segue enviando seus recursos de forma insuficiente e privatizada, direcionada a apenas um grupo social, que há anos recebe cerca de 90% de tudo o que é investido em Saúde pelo Estado. Nesta estranha relação entre o grupo social FASA (Fundação de Assistência Social de Anápolis) – responsável pela Santa Casa e desde a sua abertura, também pelo Hospital Dr. Henrique Santillo – sequer há a prestação de contas destes gastos.

O mesmo exemplo na Saúde segue caminhos semelhantes em outras searas. Mas mesmo assim, a cidade gera suas riquezas e conserta as discrepâncias geradas por este modus operandi palaciano.

Deve-se medir o desenvolvimento de uma cidade quando se tem investimentos privados e a expansão destes investimentos de forma independente aos favores do Estado. E mesmo com todas as omissões que o Estado comete ao município, e mesmo Anápolis arrecadando mais de 11% de todos os impostos de Goiás, ainda há por parte do atual governo o estabelecimento de uma política classista, com uma visão atrofiada sobre a cidade. Esta é a explicação de porque o governador Marconi Perillo jamais conseguiu eleger um candidato próprio em Anápolis. E o eleitor anapolino segue votando nele não por reconhecimento ou paixão por seus feitos, mas porque há anos ele representa o que há de melhor entre os piores. É como escolher o menos ruim das opções. A prova disto é que, em 2014, na eleição em que um anapolino estava concorrendo, o ex-prefeito Antônio Gomide bateu Marconi de lavada, tendo mais de 52% dos votos da cidade. Foi a primeira derrota de Marconi. Quando no segundo turno o candidato oponente voltou a ser Iris, Perillo voltou a vencer com folga.

Esta relação de dependência forçada permite comportamentos pouco transparentes e nada republicanos de Perillo, como às vésperas das eleições começar obras como o Centro de Convenções para, depois de eleito, sequer mover uma pedra lá de dentro. Uma obra eleitoreira, como o tal Aeroporto de Cargas, que está totalmente paralisada e que, possivelmente, irá retomar seu ritmo no ano que vem para tentar beneficiar seu candidato na cidade.

Anápolis é, hoje, uma cidade-exemplo. Um município autossuficiente que mesmo com todos os seus problemas acumulados pela omissão de décadas consegue bater recordes de desenvolvimento social e industrial e ser orgulho de seu povo. Mas esta verdade segue escondida das massas. Por puro medo do que esta independência pode representar a interesses de grupos políticos e empresariais.

Deixo aqui, por fim, o alerta ao atual prefeito, João Gomes: que fique atento, já que em breve a Saneago também deverá ser privatizada e, com isto, a cidade perderá um dos seus maiores patrimônios que é o de poder explorar ela própria os recursos de sua maior riqueza, que é a água. A exemplo da Educação, a Saúde e a Celg já estão no mesmo caminho de privatização. A vez da Saneago chegar deve ser questão de tempo. E corre-se o risco de a cidade ser novamente saqueada para servir a interesses financeiros e políticos, perdendo e entregando de mão beijada um dos seus patrimônios mais atraentes. A água de Anápolis pertence à Anápolis, não à Saneago e muito menos a quem a comprar no futuro.

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27 de maio de 2015 at 15:00

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Demolidores de Estados

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Há uma guerra sendo travada no País. Para além dos nossos desafios diários, individuais ou coletivos, na política brasileira ocorre um fenômeno semelhante ao que vemos na internet. Nas redes sociais, grupos radicais eriçam suas bandeiras e defendem seus protegidos a qualquer custo, principalmente pelo sacrifício da verdade.

Neste cenário, o embate PSDB e PT ganha ares de arena romana, num enfrentamento pouco ético e repleto de movimentos cruéis e golpes baixos. Na política não há mocinhos ou detentores da razão ou da ética. Mas o que temos visto é o terror da dialética e o sacrifício das ideologias em nome do Poder.

Em uma realidade de discursos radicalizados e extremistas, defender o PT é uma tarefa para poucos, assim como é quase impossível presenciar a um debate sensato na qual se encontre o reconhecimento dos avanços do Brasil em contraposição aos desmandos dos escândalos recentes. Relativizar estas duas pontas é um erro ético, como se os fins justificassem os meios. Mas apagar no que o Brasil se transformou é retraduzir a história de forma incoerente e leviana.

É nesta seara que entra um trabalho sujo operado pelo PSDB de forma institucional. A legenda que já representou a evolução do discurso político nacional ao dar um passo à frente do que o MDB, depois PMDB, foi no processo de combate à ditadura e no processo de redemocratização, o partido dos tucanos tem se apequenado num embate mesquinho de desconstrução do PT. E fazer isto é esquecer a própria trajetória. É optar por não se construir para demolir o outro.

Primeiro, a cúpula nacional, até hoje representada por um cansado e pouco popular Fernando Henrique Cardoso, instaura uma política de discursos sistematizados contra o ex-presidente Lula. É a verdadeira Batalha das Bengalas, na qual FHC e Lula se digladiam. A razão para se atacar um político sem mandato é inexplicável, exceto pelo temor real de que, após Dilma, Lula siga dando sequência ao projeto que ele mesmo criou. Para o PSDB, ataca Lula três anos antes da eleição é anunciar o medo eminente de mais uma derrota. O PSDB já absorveu o golpe antes mesmo dele ser desferido.

Com isto, a legenda se ausente do verdadeiro debate: o de explicar à sociedade brasileira o que seus representantes têm feito em seus Estados. Esbravejam contra o PT e Lula no intuito de ensurdecer o eleitor brasileiro para que ele não ouça o silêncio da falta de explicações.

Em Goiás, Marconi Perillo está liquidando o Estado: quer vender a Celg e transformar Goiás em um Estado Mínimo, importando um questionável conceito de OS para a Saúde e para a Educação. Em breve, se deixarem que conclua suas ações, Perillo irá entregar o Estado à iniciativa privada.

Além disto, parcela salários porque o dinheiro acabou. Há 16 anos no poder, Perillo sequer pode por a culpa em antecessores. E sequer se dá ao trabalho de explicar o porquê do Estado ter chegado a este patamar de crise, inchaço e falta de gestão. A solução por ele encontrada é o loteamento das opiniões da imprensa e a divulgação de dados estatísticos feitos por empresas contratadas, como a do Movimento Brasil Competitivo, do todo-poderoso Jorge Gerdau.

Em São Paulo, Alckmin transforma a cidade em um deserto sequíssimo infestado pela Dengue e pela ausência de gestão e ainda consegue culpar o governo federal pelos desmandos. O PSDB está há 20 anos no poder e ainda assim o paulista crê na propaganda tucana de que a culpa pertence aos outros.

No Paraná, o caos administrativo, político, de imagem e a violência estatal campeando as ruas e avenidas em cenas lamentáveis. Professores que saem às ruas para defender o assalto às suas aposentadorias, sob a medida de alterações na Previdência, são recebidos à bala e pauladas pela polícia do Estado. Beto Richa, enquanto isto, tenta apagar incêndios de revelações de indícios de corrupção em sua campanha e atos nada republicanos.

Ao atacar o PT – dizendo verdades e mentira, bem entendido – o PSDB na verdade esconder a sua autêntica vertente: a de ser um partido de demolidores de Estados. Em todos os governos do PSDB há uma crise combatida com tiro, porrada e bomba e muita, mas muita propaganda.

Assim, também, esconde a sua ausência de lideranças e prefere se manter no ar condicionado, falando mal do Brasil e do Governo ao vivo, direto de Nova Iorque. No entanto, a legenda sequer tem um discurso popular, que entre em sintonia com a população maciça, ou alguém que consiga abrir um diálogo além dos nichos sociais. O povão está descrente e longe do tucanato. Imagine qual político que hoje poderia fazer críticas a Lula ou ao PT num palanque instalado no meio de uma praça de comunidades como Paraisópolis, Heliópolis ou na Rocinha.

O grito do PSDB para que todos vejam a lama do Partido dos Trabalhadores é uma tentativa de esconder a sua própria sujeira localizada nos Estados e, ainda, um movimento ofensivo e agressivo para esconder suas deficiências como uma legenda que não conseguiu se renovar desde FHC, mantendo as mesmas práticas, discursos e o pior: um distanciamento progressivo da verdadeira sociedade brasileira.

 

Written by O Autor

18 de maio de 2015 at 22:42

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