Blog do Ernani de Paula

Empresário, ex-prefeito de Anápolis (GO) e sempre atento à política

Uma breve visita ao passado

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Fui citado em reportagem do jornal Diário da Manhã, assinada pelo jornalista Marcus Vinícius Felipe, que tratava dos desafetos colecionados pelo Governador Marconi Perillo ao longo de sua trajetória que o tornou o maior líder político de Goiás. Iniciada em 1999, no primeiro ano de sua gestão, foi apenas dois anos antes da minha passagem pela Prefeitura de Anápolis, ocorrida em 2001. A citação e a equiparação a outros nomes também relacionados como desafetos ou prejudicados, política ou até pessoalmente, por Marconi me obrigou naturalmente a uma reflexão.A primeira delas é quanto aos desdobramentos deste embate um tanto quanto desigual por trata-se de um governador contra um prefeito. Se política e juridicamente ainda pago um preço desproporcional ao cenário engendrado da época, pessoalmente compartilho que nada carrego comigo. Os traumas, incômodos e demais sentimentos ruins que me nutriram por um tempo naqueles anos, hoje, se foram. É preciso compreender a dinâmica da vida, seus percalços e seus aprendizados. E uma queda é uma lição mais poderosa que um sucesso, que pouco ensina, a bem da verdade.

Já muito tive a chance de apresentar as minhas versões sobre o ocorrido. Já me expliquei, já fui alvo de novos ataques por conta da revelação de fatos desconsiderados à época, mas tudo isto já passou. Quem sabe, um dia, não haja espaço para memórias acerca disto? Se não houver, tudo estará bem resolvido como está. Portanto, o momento não é um embate de versões, afinal, tudo a cada dia fica mais distante e a vida se renova, tanto pessoal quanto publicamente.

O que gostaria de ressaltar sobre a reportagem e sobre o governador de Goiás, Marconi Perillo, passa além de impressões pessoais. Por força dos fatos históricos recentes, fui incluído neste rol de políticos que tiveram reveses envolvendo Perillo. Sinto-me desconfortável por algumas comparações, o que verdadeiramente ocorre na lista ofertada com tamanho brilhantismo pelo autor.

No entanto, grande parte deles são vítimas e algozes. Estão há décadas vivenciando o jogo político e todas as suas vicissitudes. Fazem trocas, barganhas, batem tanto quanto apanham. Não se trata de ser melhor ou pior que qualquer outra personalidade política, mas de simplesmente ocupar um espaço histórico diferente de origem. Afinal, não sou político e não fui. Candidatei-me e me tornei agente político por força da necessidade do rito para tornar-se o que fui: prefeito da cidade que me presenteou com tantos bons frutos e cuja vontade era retribuir com trabalho e dando a minha contribuição.

Sobre a figura de Marconi Perillo, como disse e já demonstrei recentemente, meu passado está soterrado, espalhado no pó do tempo. Não posso confundir desejos ou dissabores pessoais com a minha capacidade de compreender sua atuação para além de mim. E Marconi Perillo tem realizado muito por Goiás, com erros e acertos, tem colocado o Estado em uma posição de destaque que talvez jamais tenha obtido. E esta verdade que reconheço deve ser superior à minha decepção nas suas relações políticas dos idos de 2001.

É possível que hoje Marconi Perillo não agisse com a truculência política que o fez há quase 15 anos. Com o tempo ganhou mais poder ainda, mas também mais sutileza e mais inteligência na sua forma de agir. Talvez um dia, ele próprio tenha um momento íntimo de reflexão sobre o que fez não somente comigo e com a cidade de Anápolis naquele momento, mas também com outras personalidades da política. Que este dia chegue, mas que enquanto isto ele siga na sua missão pública e pessoal. Eu e todos os citados e os não comentados na reportagem fazemos o mesmo: seguimos a nossa.

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3 de agosto de 2015 at 18:42

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Reserva de decência republicana do PSDB passa por Goiás

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O clima de golpe contra a Democracia, contra as instituições e contra a presidente Dilma, que alguns grupos e partidos políticos tentam criar no Brasil, nada mais é que o reflexo de alguns sintomas fundantes de nosso caráter e espírito público. Pelo menos dois são recorrentes, um que remete ao passado e o outro, ao presente.

O primeiro traço é um ranço sociocultural de prática golpista efetiva. Quase por um quarto de século fomos geridos por um governo militar no qual generais se revezavam no poder sob a égide da ameaça da força contra quem pedisse por democracia. Há uma boa parte da geração atuante brasileira que se acostumou à ideia de que somos tão incapazes de votar que foi necessário um golpe de caserna para nos doutrinar. E pagamos o preço disto em todos os sentidos até hoje.

O segundo ponto decisivo é a incompetência nata, pura, simples. A incapacidade de vencer eleições, de montar projetos engajados com os anseios da população e a ausência de diálogo com o verdadeiro Brasil impediu nos últimos quatro pleitos que o PSDB e seus representantes chegassem ao poder. É próprio do ponto alto da democracia – a eleição – eleger dois grupos: o vitorioso, que irá comandar a cidade, o Estado ou o País e um segundo que, ao perder, é escolhido para ser oposição, para vigiar, criticar e se posicionar como observador mordaz da administração.

No entanto quando os perdedores não aceitam o resultado e a vontade da população cria-se este clima de golpe e tomada de poder por caminhos que não os naturais, ou seja, os da eleição e todas as suas vicissitudes.

A mistura de passado e presente não poderia ser pior: se aproveitar desta memória golpista nacional para impingir em parte da população a ideia de que é preciso, sim, usar do expediente da deposição para reverter resultados a seu favor.

Hoje, no Brasil, o movimento popular de reivindicações por mudanças e pela moralização da política está sendo cooptado para um partido político que tenta tirar proveito deste cenário para tentar no golpe o que a eleição não lhe deu. O PSDB na figura de seu presidente, Aécio Neves, do senador José Serra e ainda do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso convocam a população para as ruas para pedir o impeachment da presidente eleita. Quer tumultuar o já conflituoso cenário político. Com isto, compromete as instituições e presta um desserviço ao Brasil. Ao incentivar o caos, o PSDB acaba por comprometer a sociedade brasileira, a economia, ainda mais do que já está num cenário de crise.

O que vale ressaltar é que se existe um PSDB golpista, este conceito está longe de ser uma unanimidade dentro da própria legenda. Há o que se pode chamar de uma reserva de decência no partido que não coaduna com os senadores Neves e Aloísio Nunes e pregam a busca da estabilidade política do Brasil para que sejam preservadas as instituições. Nem todos incentivam a máxima do “quanto pior, melhor” que alguns tentar fazer valer.

Os governadores Beto Richa, do Paraná, e principalmente Marconi Perillo, de Goiás, são dois nomes que saem em defesa, não da presidente ou de qualquer prática ilícita, mas se interpõem com lucidez perante o arremedo de golpe. Esta semana deram corajosas e assertivas declarações sobre a manutenção da democracia e principalmente o impacto negativo para o Brasil da insistência de se criar em laboratório um espaço para a instabilidade nas ruas do Brasil. Se existe uma crise, ela só tende a ser agravada com estes movimentos de golpe.

Estrategicamente, no caso de Perillo que projeta-se como um pré-candidato numa disputa nacional, a saída de Dilma como pregam os tucanos é um atraso em suas pretensões. A possível chegada do PMDB ao poder criaria um novo grupo para disputar a presidência e deixar o PSDB ainda mais distante da sonhada vitória que até hoje jamais veio.

É preciso ressaltar o engajamento e o compromisso com a nação e com o povo brasileiros destas duas lideranças tucanas que, ao desafiar o partido usando coma arma a sensatez, acabam por defender os interesses mais fundamentais e inalienáveis do brasileiro: o direito à liberdade democrática de escolher seus governantes.

Written by O Autor

29 de julho de 2015 at 21:09

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Marconi se esquiva da mesmice e faz bom proveito da crise nacional

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Marconi Perillo é, definitivamente, um político que saiu das sombras. Mesmo quando era um destaque no Estado de Goiás com seus mandatos de governador e de senador, o atual governador de Goiás ainda sofria algumas limitações impostas pela própria política e seu sistema de valorização regional mediante densidade eleitoral. Goiás, sem expressão ou pelo eleitoral quantitativo, nunca conseguiu protagonizar e lançar nomes marcantes para a história brasileira.
Esta condição, aliada à própria característica de Perillo em ser um soldado e ser ainda reconhecido e condecorado de sua legenda, o PSDB, correspondia bem ao jogo partidário e igualmente se impunha limitações: se era um líder absoluto em Goiás, fora dele, pouco ou nada se tinha notícia. O PSDB tido como uma legenda centralizadora e paulistanizada sequer conseguia olhar para outros Estados-chave, o que dizer de Goiás.

Mas Marconi Perillo sentiu que o seu momento pode ter chegado e deixou as sombras e o papel coadjuvante no cenário político brasileiro. Quer assumir outras missões e voar novos voos até mesmo independente da vontade ou da autorização dos tucanos de penagem mais aprumada dentro do PSDB. Desde sua quarta eleição para o Governo, o tucano tem assumido uma nova posição na pauta política e não mais se alinhado sem questionamentos aos mandatários do PSDB. Com luz e voz própria, pelo menos dentro de Goiás, Perillo tem se destoado.

Um dos momentos mais marcantes é quanto à postura perante o Governo Dilma. Nas cordas, a presidente dificilmente encontra até mesmo quem a defenda dentro do PT ou dos partidos aliados. Na oposição, é quase consenso o discurso golpista que pede a retirada da presidente na marra, quase que na força ou, até mesmo chega-se a este ponto, sob a ameaça de bala e golpes de baioneta dos militares.

No entanto, Perillo, em Goiás, age de forma respeitosa e republicana, preservando, acima de tudo, as instituições. O governador tem sido um parceiro político-administrativo de Dilma e ainda tem adotado uma posição de defensor de sua gestão ao reconhecer que o Governo Federal tem sido decisivo no sucesso e nos avanços administrativos do Estado. Perillo acaba por cumprir um papel que nem mesmo o PT e suas lideranças regionais estão fazendo ou estão em condições de fazer: realizar um discurso de exaltação a Dilma em Goiás.

Os exemplos são diversos, mas o mais recente deles aconteceu – não por acaso – no evento mais marcante do Governo de Marconi Perillo até aqui, a inauguração do Hospital de Urgências Otávio Lage – o Hugol. Tido como uma obra de impacto regional e com reconhecimento para além das cercanias goianas, o hospital de grande porte tem a participação do Ministério da Saúde na sua parte mais onerosa: a manutenção do seu funcionamento. A um custo altíssimo, seria praticamente impossível ao Estado mantê-lo funcionando de forma independente.

Perillo foi a Brasília e obteve uma parceria como o Ministério da Saúde. A parte administrativa foi realizada com sucesso e bastaria esta menção para tocar o barco e fazer o hospital funcionar. Mas politicamente, Marconi Perillo fez questão de dividir o protagonismo da inauguração com o Governo Federal ao trazer como convidado de honra o Ministro da Saúde e citar nominalmente a presidente Dilma como parceria fundamental para a realização deste hospital na sua lide diária.

Os objetivos de Marconi são claros: aumentar a participação do Governo Federal em Goiás e, principalmente, criar uma base política que o permita incomodar os decanos do PSDB. Mais ainda: obter de Dilma, quem sabe, apoio para o ingresso em outro partido que lhe dê a condição de disputar um mandato presidencial – seu principal objetivo. Com a conquista da liderança política dos governadores do Centro Oeste, como já falamos anteriormente aqui neste espaço, o governador tucano vai se descolando das sombras e dos papeis de segundo escalão para tentar, ele mesmo, se tornar uma estrela.

Pode não dar certo, mas uma afirmação já se pode atestar: errado em sua estratégia Marconi não está.

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21 de julho de 2015 at 21:28

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O gerentão nunca esteve tão na moda em Goiânia

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Um processo de sucessão é realizado em diversas etapas. Antes mesmo da seleção dos candidatos dentro dos partidos, quando se há esta comodidade de haver opções, há um preparo nos bastidores que remete a uma atividade muito mais cerebral de observação do que propriamente o cumprimento de uma agenda política.Dada a competitividade de algumas disputas ou mesmo o acirramento de grupos e a necessidade estratégica de vencer determinada corrida nas urnas, não é raro que estas etapas se misturem e aconteçam simultaneamente. E este é, especificamente, o caso de Goiânia, na qual as agremiações e seus comandantes mais graduados estão já moldando opções para ilustrarem as cédulas, mas também debatendo perfis a partir a observação e análise profunda do comportamento do eleitorado.

Se existe este corre-corre pela questão Goiânia, afinal, o resultado das urnas na capital deverá também influir em 2018, há um facilitador neste processo atropelado. E ele remete ao perfil do candidato que irá fazer a cabeça do goianiense. Ao que parece cada vez mais, o eleitor metropolitano está em busca de um nome técnico que se distancie da classe política típica. O político de carteirinha ou mesmo aquele com o perfil de negociador e cujo diálogo é sua principal arma parece estar com os dias contados na cidade. Pelo menos neste pleito. O que o goianiense parece querer é o chamado gerentão, ou seja, o tocador de obras, que transforme a cidade como ela tem esperado e até mesmo tem demandado que aconteça.

Claro que é preciso diálogo, boa capacidade de negociação, mas é preciso entender que está não pode ser a qualidade-fim do postulante, mas apenas um dos itens que melhorem sua principal qualidade e talento: realizar como gestor.

Cada vez mais cresce a impressão de que o eleitor de Goiânia espera que surja um nome que conserte – e este é o termo mais adequado, por incrível que pareça – o que tem sido feito com a capital de Goiás nos últimos anos.

E, neste cenário, dois nomes se sobressaem entre os pré-candidatos: o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso e o presidente da Agetop, Jaime Rincon.

Estes são dois realizadores, de fato. Possuem folha de serviços prestados por onde passaram. Tem em desfavor eventuais desgastes ou mesmo desconhecimento, como é o caso específico de Rincon, mas podem se apresentar como obreiros, gestores que conseguem equacionar crises, driblar dificuldades e tocar e entregar obras por onde passam.

Neste cenário, Cardoso é um nome bem mais difundido entre o cidadão comum, menos antenado na política e seus agentes. Foi prefeito de Canedo por duas vezes e também duas vezes teve seu nome espalhado por Goiás como candidato ao Governo. Isto lhe confere capilarização, mas também desgaste, afinal, uma derrota não faz bem à imagem de ninguém. Como gestor tem sua marca até hoje reconhecida pela revolução na infraestrutura de Senador Canedo. Não por acaso, seu secretário no setor era um empresário de Anápolis, chamado João Gomes. Hoje, prefeito de Anápolis e com a mesma sede de realizar obras em todas as regiões do município.

Já Rincon é um dos responsáveis pela volta por cima de Marconi Perillo depois da crise de imagem de 2012, depois da Operação Monte Carlo. O governador parou de falar e de aparecer para que suas obras falassem por ele e foi Rincon, à frente da Agetop, quem conseguiu usar da oratória das máquinas, das estradas abertas e das diversas obras. Através desta voz de concreto armado e ferro fundido, Marconi recuperou sua imagem e ganhou mais uma vez as eleições.

Agora, muito possivelmente, será a hora de Rincon ser retribuído pela boa imagem e o prestígio do chefe Perillo e conseguir dele não somente a credencial para se tornar candidato em Goiânia como também obter o apoio maciço da máquina estadual em prol de seu projeto.

Do outro lado deste jogo, estão políticos de carreira como Iris Rezende, Ronaldo Caiado, integrantes do PT de Paulo Garcia e outros nomes. Nenhum deles, no entanto, parecem até agora preencher este perfil do empreendedor público e conferem mais à semelhança do gestor político. O que não impede que se recriem e se adaptem às necessidades de momento.

O fato é que neste momento jogo está zerado, mas a exemplo de esportes como o Tenis, há vantagem para um ou outro lado. E, desta forma, os gerentões nunca estiveram em tão boa conta como agora.

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14 de julho de 2015 at 2:19

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A estratégia de Marconi para dar vários golpes num movimento só

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Marconi Perillo é uma águia na política regional. Se no Brasil, ainda é um desconhecido pela sua origem num Estado com tão pouca representatividade eleitoral, em Goiás é o maior líder político vivo, tendo já superado em muito – tanto em qualidades quanto em gestos questionáveis – seu principal adversário, Iris Rezende. Se um jogador de xadrez fosse, Perillo seria um craque por saber mexer no tabuleiro sem permitir que os adversários compreendam suas reais intenções.

E, como todo líder na política, é arguto, controverso e cheio de movimentos que comprometem outros nomes. Mas o caminho político de agentes públicos desta natureza é, de fato, repleto dos ossos dos inimigos que ficam pelo caminho. Marconi não inventou o jogo, nem mesmo incrementou-o, mas sabe jogá-lo como poucos.

Ao sair da reunião dos governadores do Centro-Oeste na presença do ministro Mangabeira Unger como o líder da região para manter o diálogo com o Governo Federal na intenção de criar uma agenda conjunta de desenvolvimento, Perillo dá o primeiro passo oficial para se aventurar em um projeto nacional, seja para disputar a Presidência ou como integrante da chapa, como vice. O fato é: Marconi está, sim, trabalhando para um voo ainda mais alto.

Perillo há muito está ciente de que Goiás como ponto de lançamento de uma campanha desta estirpe é muito pouco. No entanto, se conseguir se gabaritar e reunir em torno de si mais lideranças de porte de outros estados vizinhos, pode se tornar um ícone da região. Se liderar este grupo de trabalho migrando sua influência para o campo político-eleitoral, Marconi já terá uma sólida base para negociar com as demais correntes do PSDB que, ainda que fechadas, não podem fechar as portas para uma combinação desta natureza.

Além disto, depois das declarações de Mangabeira Unger qualificando o Centro-Oeste como região potencialmente de vanguarda para o crescimento, Perillo ainda arma o seu primeiro golpe contra adversários. No caso, contra o mais ferino deles, o senador Ronaldo Caiado.

Conhecido como líder do movimento agrário do Centro Oeste, o democrata pode ser colocado de lado ao virem que, na verdade, é hoje Marconi Perillo o interlocutor do Centro-Oeste com a Presidência da República. Ao se credenciar, automaticamente, Marconi coloca Caiado em segundo plano. No máximo. A alta capacidade de Caiado de fazer inimigos e destruir pontes logo após atravessá-las é também um fator decisivo. Nisto, Perillo nem precisa ajudar muito, apenas deixar este tipo de talento do senador aflorar.

Já Marconi segue reunindo forças. Já se coloca como um aliado administrativo da presidente Dilma. Além de defendê-la e, com isto, chamar a atenção do PSDB para a sua agenda, o governador ainda espera seguir recebendo benesses do Governo Federal para auxiliar na sua gestão. Ao atacar novamente o ex-presidente Lula na convenção nacional do PSDB, Perillo assume uma posição favorável a Dilma, que vem sendo criticada abertamente pelo petista, e ainda tenta polarizar um debate de antagonismo com Lula. Este, é claro, sequer o vai responder, já que era isso que o goiano queria. Mas o governador já pontua o que pode ser um possível embate em 2018. O importante é não perder tempo e oportunidade.

Administrativamente, o governador tucano também cria seus planos estratégicos. Com a inauguração do Hugol, que se reconheça como um grande marco na Saúde e na infraestrutura goiana, Marconi abre mais espaços para a instalação das Organizações Sociais, as OSs, e amplifica o coro para que haja a expansão delas para a Educação. Com isto, melhora sua imagem como bom gestor, facilitando a chamada boa política, ou seja, credenciar-se para novos postos através de um trabalho que agrade ao eleitor. Se as OSs seguem contestáveis, pelo menos a obra do novo hospital de Goiânia é de excelência e merece o reconhecimento.

Quanto menos adversários o tucano conseguir eliminar e mais forças reunir ao seu redor, melhor e mais credenciado Perillo estará para o embate interno do PSDB. Mesmo sendo um peixe fora d’água no monopolizado e paulistizado centro de controle do PSDB nacional, Marconi quer promover um golpe e quem sabe dividir o ninho tucano. Enquanto Aécio e sua turma ensaiam um golpe em Dilma e no Brasil para tentar causar o caos para conquistar o que as urnas não lhe deram, Marconi tenta arrumar seus meios para ele mesmo correr por fora e aprontar das suas no alto tucanato. Uma ironia de finíssimo trato.

Written by O Autor

7 de julho de 2015 at 19:40

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O ódio a nossa volta 

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A humanidade vive de saltos. Seguimos em uma tendência, numa determinada direção muitas vezes em ritmo lento e, de repente, damos um traumático salto. Assim funciona em diversos segmentos da nossa existência, mas, sobretudo no campo social, há nitidamente um trampolim que nos faz alçar outros degraus do comportamento. Isto é evoluir.

O comportamento é dinâmico e alterna entre opostos com facilidade. O que não é exatamente fácil é o ato da conquista de passagem de um extremo a outro. Isto quase sempre se dá de forma agressiva, seja em vias de fato ou mesmo pela eloquência de seus ativistas e defensores. Assim ocorreu no processo de aceitação das mulheres na política no início do século passado. Até as eleições de 1933 no Brasil, nosso país sequer considerava as mulheres como capazes de fazer escolhas políticas. A revolução sexual, a Primavera de Praga, os sutiãs queimados em nome da liberdade sexual das mulheres, o movimento do pacifismo por todo os Estados Unidos nos anos 1960, que tiveram o seu auge na Guerra do Vietnam e deixaram como legado artístico-social o movimento hippie, tudo isto representou um salto de qualidade e evolução no estilo de vida ocidental. Foi por intermédio deles que hoje somos mais humanos, mais decentes e com mais respeito.

E curiosamente ainda nos falta muito porque o tempo todo novas demandas surgem. Assim como um dia a sociedade descobriu o absurdo que era manter pessoas em regime de escravidão selecionadas somente pela cor da pele, houve quem insistisse em defender a ideia original e encontrar sentido em, sim, manter homens e mulheres trabalhando de forma desumana e não remunerada, sendo açoitada como animais selvagens.

E é isto que atualmente vivemos: o açoite social aos gays. O imenso e real movimento social LGBT é uma muito mais do que uma estatística ou um grupo de gueto que pode ser a qualquer momento empurrado de volta aos becos e às sombras. Mesmo assim, há quem se posicione contrário ao civil, legal, de suas demandas. Assim como em diversas outras situações, nossa sociedade é convocada e aceitar e reconhecer mudanças, novidades, novos padrões de comportamento que, inéditos, surtem em alguns a necessidade de rechaçar. Um esforço tolo, tendo em vista que o a História mostra que com o tempo os movimentos do Novo sempre vencem o atraso.

O que chama atenção nos dias de hoje é algo particular da modernidade do nosso tempo. A impressão que se tem é jamais fomos tão modernos em nossos meios, e tão antiquados em nossos comportamentos. Temos a internet e um sistema ágil de comunicação e diálogo. E, no entanto, o usamos para disseminar ódio e fundamentalismo, principalmente o religioso.

Acima de tudo, temos dado voz aos radicais, abrigo ao discurso irracional de pelo menos dois séculos atrás quando nos embasávamos numa vida limitada e sem quaisquer conhecimentos. O uso da religião tem sido mal aplicado como forma de manipulação há séculos e parece que hoje, no arauto da nossa modernidade, nos tornamos reféns de artimanhas antigas e perigosas, que pregam muito mais o ódio que a tolerância.

Os recentes e recorrentes acontecimentos de perseguição a gays, ameaças e outras deformidades do caráter que surgem pelas redes sociais nos colocam como bestas numa sociedade que pede para ser renovada. O aditivo deste comportamento são discursos de líderes religiosos ou políticos – quando não os dois – calcados no ódio, na segregação em nome de Deus, em nome da defesa da família como se o exercício individual da vontade de cada um fosse forte o bastante para alterar a vida do vizinho.

O fato é que o Novo sempre vence e as mudanças podem ser retardadas mas jamais impedidas. O que nos resta como integrantes de uma sociedade é resgatar o que ainda carregamos de bom senso e compreender que a concessão de liberdade individual, seja sexual, política ou comportamental, aos outros é na verdade um grande gesto de altruísmo, respeito e amor. Como na mensagem da campanha lançada nos Estados Unidos na última semana após a suprema corte daquele país liberar o casamento civil de pessoas do mesmo sexo: #LoveWins. Ou seja: o amor prevalece e vence. Sempre.

As manifestações do novo estão por toda a parte e hão de imperar. O que temos de fazer é pensar com mais amor e respeito e calar sempre o ódio que ronda a nossa volta.

Written by O Autor

30 de junho de 2015 at 1:44

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O esquema silencioso do MEC que compromete a “Pátria Educadora”

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Os rolos no Brasil além de ser endêmicos e democráticos – afinal, atingem todos os setores e esferas da gestão pública – parecem também estar interligados numa espécie de confraria da corrupção. A impressão que se tem é que mesmo o trabalho inequívoco e implacável do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, nosso ainda está distante de sanar ou pelo menos dar um grande golpe nos diversos esquemas que estão em curso.

Recentemente a Revista Istoé apontou em reportagem as ligações de um esquema para desvio de verbas da previdência dos Correios e da Petrobrás na estratosférica quantia de R$ 100 milhões. O depoimento-chave, no entanto, é de funcionário de um grupo educacional, de nome Galileo Educacional, cuja criação originou no seio do grupo criminoso para realizar uma única função: escoar os recursos dos fundos.

O esquema da Galileo não funcionava de forma isolada. Como universidade, demandava autorizações e a parceria efetiva do Ministério da Educação. Tanto para sua atuação oficial, quanto para as atuações às sombras no mundo do crime. E assim foi feito. Segundo a investigação da PF, o grupo Galileo foi montado para abarcar outras universidades brasileiras que passavam por dificuldades financeiras. Foi o que aconteceu com a aquisição das Universidades Gama Filho e UniverCidade, ambas no Rio de Janeiro.

A operação foi montada com base em interesses do esquema criminoso e sem qualquer critério técnico. Para isto, contavam com a ajuda interna de um alto executivo do MEC que tocou internamente os processos, sabe-se lá a que custo. O dinheiro, em vez de ser aplicado nas universidades, teria sido desviado para um emaranhado de empresas e depois, segundo o delator, remetido a políticos como Renan Calheiros, Lindbergh Faria e Luiz Sérgio. Em pouco menos de um ano, o MEC descredenciou boa parte dos cursos de ambas universidades e os fundos arcaram com o prejuízo. Estava montado o esquema de desvio cujo prejuízo ficava com a vítima: os cofres públicos.

“Os envolvidos montaram todo um simulacro com aparato administrativo, financeiro e jurídico para angariar recursos em uma estrutura que não tinha qualquer comprometimento com a proposta educacional”, afirma o delegado Lorenzo Pompilio, que comanda o inquérito, em entrevista à Istoé.

Em procedimento ocorrido dentro do MEC, envolvendo técnicos semelhantes a estes que estão que hoje estão enrolados com a Galileo, foi feito o descredenciamento de outra universidade, a São Marcos, que foi fundada e gerida por mais de 30 anos por minha família. Nossas tentativas de negociação ao longo dos anos em que necessitamos de adaptações ao mercado junto ao MEC foram infrutíferas. E não foram poucas as oportunidades em que suspeitamos e até mesmo denunciamos atitudes e condutas suspeitas deste profissional e sua equipe. À época realizei uma série de denúncias sobre a conduta, todas sob análise da polícia. A impressão que se tinha era a de que havia um interesse muito severo para que a São Marcos, a exemplo de outras universidades, também seguisse o mesmo caminho das cariocas Gama Filho e da UniverCidade.

O esquema ainda está sendo investigado e deve promover novos capítulos, mas agora já sabemos que há uma nova porta de escoamento de recursos da Pátria Educadora, com o intuito de abastecer grupos criminosos e políticos pelo Brasil afora.

Written by O Autor

23 de junho de 2015 at 21:25

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