Blog do Ernani de Paula

Empresário, ex-prefeito de Anápolis (GO) e sempre atento à política

Saneago: uma verdade que vem à tona

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A prisão do diretor-presidente da Saneago, José Taveira, e do presidente do PSDB de Goiás traz à tona uma farsa de quase 20 anos. Um esquema que rendeu um prejuízo ainda incalculável par ao erário goiano, mas, principalmente, para a vida do povo de Goiás. E, em especial, para o povo de Anápolis que tem sofrido sistematicamente com a falta de abastecimento de água. Agora, já se sabe que os rios de dinheiro retirados de Anápolis abasteciam os esquemas de pagamento de dívidas políticas do PSDB. Enquanto isto, não havia dinheiro para pagar os investimentos estruturais na cidade.Pobre povo goiano, pobre povo anapolino que se iludiu por tantas vezes em farsas como esta que agora é revelada pela Operação da Polícia Federal dentro da Saneago. A ação expõe as entranhas do poder de Goiás, deixa Marconi Perillo no centro das atenções sobre sua gestão e o comando de seu partido. A prisão dos dois principais nomes do PSDB e do Governo mostra que há muito a se desvendar nos quase 20 anos do “Tempo Novo” de Goiás.

Pessoalmente, esta ação lava a minha alma. Eu, que fui cassado em meu mandato após ser perseguido pelo governador Marconi Perillo quando manifestei minha vontade como prefeito de municipalizar a água. Eu já sabia onde mexia e o que significavam os milhões mensais – isso em 2001! – das contas de água e esgoto dos anapolinos. Já tínhamos uma vaga noção de que o dinheiro servia para outras funções que não as regimentais da empresa estatal.

Agora, vemos a realidade: dura, criminosa, nefasta daqueles que estão ali não para atender aos interesses do cliente, do consumidor, do povo de Goiás, mas para manter esquemas com desvios milionários.

Eu perdi meu mandato, Anápolis perdeu o poder do voto e da escolha democrática, fui perseguido e tive a minha vida devastada por conta desta cassação que só visava um único objetivo: proteger os interesses dos esquemas tucanos revelados nesta operação.

No entanto, sinto-me de alguma forma aliviado e sem o peso de anos e anos de uma culpa que carreguei, mas que agora torna-se revelada por intermédio das verdadeiras verdades, sem maquiagem, sem farsas da imprensa, sem manipulação de políticos e agentes locais.

Quem deve responder a estas acusações – além dos agentes da política de Goiás presos – é também o Governador Marconi Perillo e todos aqueles vereadores, deputados e demais figuras públicas que defenderam os interesses misteriosos do Governo e da Saneago contra o povo de Goiás. Ficaram contra o povo e a favor de um esquema hoje desvendado pela Polícia Federal. É preciso que os defensores deste governo e da manutenção da Saneago como está na cidade sejam postos a responder e se explicar perante o povo.

Hoje vivo o alivio de uma nova verdade para o Brasil mas que a mim eu já guardava e já tinha consciência há anos.

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24 de agosto de 2016 at 13:50

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Novas impressões sobre um velho combate

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Foto ErnaniNesta semana, retornei ao contato com as pessoas pelas ruas dos bairros da nossa cidade em uma rotina que não fazia parte da minha vida desde 2000, quando fui candidato e venci as eleições para prefeito naquele ano. O contato com nossas bases políticas e com os apoiadores jamais cessou. Fiz amigos ao longo deste processo e, depois dele, fiz ainda mais amizades e nos aproximamos de um grupo maior de pessoas de Anápolis.

Mas, agora, foi um momento especial: o de retomar a agenda como candidato, como agente público, cuja farsa de uma cassação promovida por Marconi Perillo e seus asseclas na cidade me impediram de exercer por estes anos. O reencontro com este ritual me emocionou por diversas vezes. A cada abraço e a cada saudação era como um filho de volta à casa querida e segura depois de anos de ausência forçada. Foi uma celebração coletiva e, para mim, por muitas vezes tive de segurar as lágrimas.

Volto com disposição e alegria. Volto com o peito aberto e pronto para o diálogo com as pessoas. Dispenso os articulistas da velha política, os que já enfrentei e derrotei no único lugar em que devem ser considerados: nas urnas. Fora delas, os expedientes que usam faço questão que me manter distante.

No entanto, com o povo da cidade, me alegro em ter sido – e estar sendo – recebido de braços abertos. Independentemente dos lados políticos ou das preferências ideológicas às quais respeito profundamente, fico satisfeito em saber que estão aptos a manter o diálogo, a falar e a nos ouvir sobre o nosso retorno à cidade e à sua política sempre pujante e disputada.

Meu amor pela cidade é maior do que os bordões dos falsos barões da política. Foi aqui que passei os grandes momentos da minha vida pública e da minha vida pessoal. Foi em Anápolis que fui mais feliz e é por isto que nós merecemos uma nova esperança, uma retomada e a disposição para o combate das velhas práticas e velhos caciques que estão aí, atrás de novos nomes, à espreita de um retorno.

Não tenho marqueteiros, não tenho estrategistas. Assim como em 2000, minha campanha é junto ao povo e, acima de tudo, escutando as pessoas, acompanhando de perto as suas necessidades e moldando as nossas expectativas em torno do que o anapolino precisa e merece. Estou cercado dos meus fieis aliados de sempre, que jamais me deixaram, nem mesmo nos piores momentos em que tentaram comprometer a minha imagem e a minha conduta à frente da gestão pública.

Em sendo assim, convoco o povo para estar ao meu lado. Para me dar uma chance de retornar à Anápolis que vivemos juntos, à época em que trouxemos modernidade para uma máquina pública acanhada e paroquial. Para retomarmos a cidade à condição de locomotiva de Goiás, na sua economia e na geração de emprego. Para que consigamos – sempre juntos com a população – devolver à cidade a condição de capital do conhecimento, incentivando o crescimento das nossas escolas de ensino superior e qualificando a nossa rede municipal.

É tempo de renascer. E aposto meu renascimento político junto ao renascimento da autoestima de nossa Anápolis. Que possamos com simplicidade, com a conversa dentro do olhar das pessoas, nos organizar novamente para devolvermos a Anápolis o que ela merece e o que cada anapolino anseia.

Este é o meu sentimento e fico feliz em saber que é também o que está no coração do eleitor, que esta primeira semana de campanha me permitiu descobrir. Que sigamos juntos em nome da democracia, da liberdade e do Direito pleno de escolha.

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23 de agosto de 2016 at 14:28

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Treze anos de um golpe: o dia que não acabou

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A noite do dia 19 de agosto jamais acabou. Para mim, pessoalmente, e para a cidade de Anápolis, num sentido histórico. O ato político que retirou o mandato concedido a mim e ao projeto político-administrativo que eu representava foi um dos mais duros golpes à democracia visto no cenário político recente no Brasil. E mostrou a força da violência e da tirania de um Governo intolerante com forças contrárias ou que pudessem se opor ao seu “reinado”. Marconi era ainda um desconhecido e, a partir de gestos isolados, como a minha cassação, sua personalidade começou a ser moldada e a ser conhecida. O que se vê hoje é apenas um que já era mostrado antes, mas que Goiás ainda não conhecia.

Marconi Perillo costuma agir por intermédio de terceiros. É recorrente a expressão que diz que ele “bate, mas esconde a mão”. É do feitio político do então governador – no poder até hoje – atuar como a mão que segura marionetes. Fez isto com os vereadores influindo diretamente na decisão política da Câmara Municipal, na época. Por diversas vezes promoveu reuniões pessoalmente com grupos de vereadores, conduzindo-os para a decisão de votar pela cassação do nosso mandato. 

Na noite de 19 de agosto, o resultado de sua ação surtia efeito, enquanto ele acompanha há quilômetros dali. A mão que age e esconde. 

Os prejudicados foram vários. A mim, pessoalmente, aquele dia jamais teve fim. Fui moralmente atingido e defenestrado de um mandato que conquistei pelo mérito democrático e pela suprema vontade popular junto aos eleitores de Anápolis. Para a História de Anápolis, houve uma lição da fragilidade da nossa democracia, uma vez que um governador com poderes e um gênio vil pode coibir, dissuadir, cooptar outros agentes políticos e desafiar até mesmo a liberdade das decisões populares.

Mas, apesar dos meus anos de amargura pessoal e do legado de violência política à cidade, quem mais perdeu foi a cidade e, mais precisamente, os anapolinos.

Isto porque todo o cenário que remeteu ao auge da cassação do meu mandato se deu por um problema que agoniza milhares de anapolinos até hoje: o abastecimento de água no município. 

Era minha intenção promover a municipalização da água e o imediato rompimento do contrato de concessão de exploração da água e do esgoto junto à estatal Saneago. A justificativa: a incapacidade já exposta em 2001 e 2002 desta empresa em atender aos anseios dos anapolinos e de prover condições mínimas para o seu desenvolvimento. A realidade que se tem hoje da nossa cidade já era uma realidade há 15 anos, lamentavelmente.

Anunciei publicamente minha intenção de romper com este acordo nefasto ao município e, após as eleições de 2002, quando elegemos a partir de Anápolis um deputado federal, Ronaldo Caiado, e um senador, Demóstenes Torres – cuja suplência era ocupado pela então primeira-dama Sandra Melon – conseguimos o que faltava para fazer frente à resistência do Palácio das Esmeraldas: força política e representação.

A partir desta “ameaça” de rompimento não com a Saneago, mas com a milionária arrecadação mensal da empresa com a água da cidade sem que para isso invista em sua ampliação, as ações do Governo de Goiás com a cidade tornaram-se raivosas. No aniversário da cidade, tivemos a luz cortada por “falta de pagamento de precatórios”. Uma atitude para atingir a administração politicamente, mas que colocou em risco a vida de todos os anapolinos.

Esta é a maldosa e vil forma de agir de Marconi Perillo.

Hoje, passados 13 anos do ápice desta disputa por dinheiro, o dinheiro dos anapolinos dados à Saneago para não fazer o que tem por obrigação cumprir, vivemos naquele mesmo dilema, no mesmo sofrimento. A noite, portanto, não acabou só para mim, mas para todos aqueles que abrem suas torneiras e nada encontram se não o vazio da incompetência, do desrespeito, da exploração financeira da Saneago com a cidade. E isto tudo diante do silêncio sepulcral de deputados, vereadores e lideranças ligadas ao governo que se calam por medo de desagradar Marconi Perillo e ter o fim que eu tive naquela noite.

Nestas eleições, o debate do abastecimento retorna. E, com ele, a mesma atitude dos representantes do Governo de Goiás em não assumirem os compromissos e nem mesmo se comprometer em fazer cobranças. O candidato oficial de Marconi, pelo PSDB reiteradas vezes tenta jogar a culpa em outros agentes, como a prefeitura, como os empresários… tentam até mesmo culpar o crescimento da cidade: tudo para não terem de ver o óbvio, ou seja, a negligência do governo em resolver a questão com investimentos maciços que justifiquem a presença da empresa na cidade. Ou isto ou a entrega da água, municipalizada, para que a gestão local possa fazer as intervenções e dar água ao seu povo.

Daquele 19 de agosto até este, 13 anos, perdemos todos: eu perdi meu mandato e a minha vida política que tento, com paciência e determinação, recuperar. Perdeu a Democracia, que expôs a sua fragilidade. E perdemos todos desta cidade que continuamos na indignidade da inanição do abastecimento do bem mais primordial para a vida: a água em nossas casas.

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15 de agosto de 2016 at 17:33

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O perigoso discurso do Novo

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Há algumas eleições um tema vem se tornando repetitivo e, a partir daí, é usado como um mantra por agentes políticos e candidatos: o conceito do “novo”. O “novo” vem aí, como se fosse uma anunciação milagrosa, como um produto do mais puro marketing comercial. Como se, em sendo novo, fosse bom. Como se, por ser novo, vem para renovar e resolver todos os problemas que os já conhecidos não resolveram. Não, nem sempre – ou quase nunca – o “novo” é bom em Política ou em qualquer área que demande expertise.

Pior ainda é quando o “novo” é apenas um nome, cuja casca inédita esconde por dentro aliados, apoiadores e parceiros antigos, datados e que representam o que há de mais antigo. Creio que a vitória de Marconi Perillo em 1998 e o nosso êxito em 2000, além da vitória de Gomide em 2008, foram três fatos que influenciaram regionalmente para que o discurso do “novo” acontecesse.

O “novo” tem diversas vertentes: pode ser novo e neófito, sem qualquer prática ou intimidade com a coisa pública, seus caminhos e suas vicissitudes. Ou seja: um rosto novo, com um discurso novo que traga toda a inexperiência junto, colocando em risco os caminhos do avanço de uma cidade, um estado. Há, ainda, o novo que é apenas este produto de marketing, como se fosse a nova face para um velho grupo com os mesmos métodos ultrapassados.

Anápolis tem sido influenciada pelo tal “novo”. Sejam candidatos inéditos ou destes que nunca foram candidatos aos cargos que se lançam. O que é fundamental na seleção por este viés da “renovação” é aprofundar na observação e compreender se o novo não é esta casca. Analisando diversas candidaturas da cidade, é fácil compreender o quanto estes nomes são tão-somente a ponta do iceberg e que, por baixo de seus discursos sobre o novo estão as velhas raposas da política local e regional.

Gente que, já desgastada de tantas rejeições nas urnas e fora delas, esconde o corpo, deixando apenas suas mãos movendo um fantoche com o “boneco do novo”. É uma novidade de pano e enchimento artificial para mascarar o antigo, o retrógrado, o já rechaçado nas urnas pela população.

A inexperiência pode levar ao cometimento de diversos erros, entre eles o de abrir o flanco para a influência de grupos que só tem um único interesse: a detenção do poder, a formação de guetos de poder e de se locupletar de todas as formas. Alguns erros que, analisando meu processo de integração ao sistema político (bastante diferente da vida empresarial), cometi ao me permitir aliar com lideranças que desde aquele tempo já eram velhas e de ideias ultrapassadas e contrárias às vontades do povo.

Hoje, consigo o joio do trigo. Consegui ao longo dos anos fora da política eleitoral me distanciar por completo e romper vínculos, mantendo longe estes elementos que representam uma era que o anapolino já há muito tempo não quer por perto. Prefiro andar só com companheiros fieis e que tenham a mesma visão que eu, a me aliar por desespero ou conveniência.

Pessoalmente, compreendo que devo uma explicação moral para os meus 50.204 mil eleitores que confiaram em mim em 2000 e me elevaram à condição de prefeito de Anápolis, honra maior da minha vida. Usarei deste momento não para falar do passado ou resgatar algum fato que hoje já tem espaço na desgastada estante da História. Mas, em contrário, farei do presente e o debate sobre o futuro um instrumento de mudança de versões que há tempos estão vigentes acima dos fatos. É tempo de virar páginas e escrever novos acontecimentos.

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9 de agosto de 2016 at 18:53

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Sírio Miguel: um enigma desvendado

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O ex-vereador Sírio Miguel é conhecido da cidade de Anápolis desde o tempo em que serviu à Aeronáutica, na Base Aérea de Anápolis, deixando um rastro de problemas e processos administrativos por lá. Como aliado de Pedro Sahium, viu-se na oportunidade de trai-lo e o abandonou para tentar descolar a sua imagem política do então prefeito, um exímio colecionador de desgastes.

Em Política, poucas vezes não há Justiça. É possível que um político até mesmo consiga desvencilhar-se do Poder Judiciário, com manobras, bons advogados, brechas na Lei. No entanto, a Justiça das Ruas, promovida pelas urnas e pelo voto e, ainda, a Justiça do próprio meio político, estas dificilmente falham. E Sírio Miguel é um exemplo destes.

Isto porque mesmo depois de alçar à condição de presidente da Câmara Municipal e representar com exclusividade o maior colégio eleitoral de Anápolis, a Vila Jaiara, foi a sua atuação como vereador o expulsou de um novo mandato, tornando seus problemas e sua dificuldade em honrar acordos maiores que o seu prestígio como presidente e único nome da região. O Mal vencia o Bem na trajetória do parlamentar.

Agora, sem espaço, e depois de ocupar por longos anos uma diretoria nos governos petistas de Antônio Gomide e João Gomes, Sírio Miguel apronta a mais nova traição: rebelar-se dentro do PMDB para tentar evitar uma decisão já tomada, a aliança do PMDB com o PT. Miguel, desta vez, vai de encontro com a Histórias dos dois partidos. E esta é a parte inédita, uma vez que ir contra aliados e contra projetos que fez parte é já uma tônica da trajetória política dele, desde Pedro Sahium.

Ao lançar-se como pré-candidato a Prefeito, Sírio Miguel desvenda seu próprio mistério e se desnuda para seus pares dentro da legenda que o abrigou. Afinal, torna-se alguém pouco ou nada confiável em simplesmente não acatar a somatória de dois fatores: 1. a vontade da maioria da Executiva e, 2. a orientação direção estadual do partido.

Afinal, PT e PMDB coligaram entre si em diversas oportunidades e, no cenário local, tem um diálogo profícuo que data de antes da chegada de Miguel ao partido. Promover uma insurgência (este é o termo do ato, uma vez que uma decisão colegiada foi tomada e anunciada) em contrário não é o exercício da democracia e da liberdade, mas a prática da ambição pessoal e da traição aos anseios programáticos do partido que ora lhe concede legenda.

O verdadeiro intuito de Miguel é colocar o PMDB de cócoras diante do DEM, legenda cuja importância tende a nenhuma no cenário político de Anápolis. A intenção de se aproximar de Ronaldo Caiado usando o partido para se cacifar e para apoiar o projeto de Pedro Canedo só reforça que não há compromisso do ex-vereador com Anápolis. Seu compromisso se renova com ele mesmo e com as benesses que esta mexida pode lhe dar ao inserir o PMDB, com sua história e importância numa aventura e sandice política.

A prática de Sírio Miguel não é nova, mas está ficando velha demais para a Anápolis que vem se reinventando no aspecto político. Não há mais espaços para indecências de discursos políticos inflamados, cheios de nada, além do ódio, dos lugares comuns, das ofensas, da busca pela difamação. Anápolis vem experimentando um caminho de construção e há cada vez menos espaços para estas práticas de embates e guerrilhas sorrateiras que, por exemplo, eu fui vítima. Hoje, o anapolino prioriza a sensatez e o compromisso. Este tempo, ainda bem, está cada vez mais para trás.

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1 de agosto de 2016 at 18:33

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Carnaval da Afronta

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O carnaval carioca foi a afronta que faltava para demonstrar a falta de respeito ou mesmo de consideração moral do Governo de Goiás com o cidadão pagador de impostos e, muitas vezes, financiador de projetos que não coadunam com a vontade popular. Não foi culpa das cores, dos carros alegóricos e nem mesmo da homenagem da escola de samba Imperatriz Leopoldinense à dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, mas pela desfaçatez do governador em deixar Goiás na situação de caos generalizado para saudar a euforia na festa de Momo.O feriado nacional é ofertado a todos, indiscriminadamente, para que caiam na folia ou o aproveitem como melhor lhes couber. Longe de ser ilegal, é plenamente imoral que Marconi Perillo sorria para as câmeras do Brasil como se vivesse num paraíso, quando na verdade goianos dos 246 municípios vivem cortejados pelo Mal da insegurança, da violência, da morte nas estradas sem conservação, na Saúde e na Educação precárias.

É neste ponto que a folia palaciana nos camarotes da Marques de Sapucaí se torna quase um escárnio. A campanha de Perillo para tentar ser um líder nacional ultrapassa o razoável e o aceitável. Enquanto se refestelava na folia carioca da passarela do samba, famílias perdiam a vida em acidentes nas rodovias esburacadas, onde os condutores, ao desviar dos buracos, acabam por colidir com outros carros.

Enquanto o Rio de Janeiro e suas tentações tomavam conta de Marconi, este deixava de ser Governador de um Estado recordista nacional em assaltos a ônibus em rodovias que cortam Goiás para se assumir como pré-candidato às eleições nacionais de 2018.

Pelas redes sociais, o governador exaltou a participação da dupla goiana de músicos como tema central da escola de samba carioca e disse “é a cultura goiana como prioridade”. Enquanto posava de grande mecenas das artes populares goianas, por aqui os artistas locais, os verdadeiros representantes da cultura goiana, correm de pires na mão interrompendo projetos socioculturais porque a Secretaria de Educação e Cultura não pagou o combinado nos projetos beneficiados pelo Fundo Estadual de Cultura. Ao mesmo tempo em que sambava ao som de “É o Amor”, Marconi não revelava que cancelou o Tenpo- Festival de Teatro de Porangatu e mingou de forma lamentável o Festival Canto da Primavera. A cultura de Marconi Perillo é a que aparece na apoteose para o mundo, não a que acontece em Goiás.

Agora, passada a quarta-feira de cinzas, o governador parte para uma missão na Oceania, onde irá visitar países em busca de investimentos. Mas, lá, como cá, não irá mencionar os insuperáveis problemas locais de abastecimento de água e tratamento de esgoto, bem como o fornecimento parco de energia elétrica. Goianos que, como bons brasileiros, fazem piada de tudo, já dizem que Marconi Perillo foi à Austrália aprender a pular como os cangurus de lá para desviar com saltos dos buracos das rodovias goianas. Uma boa e inventiva piada, mas nela, ninguém ri: todos choram.

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15 de fevereiro de 2016 at 23:50

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O Perigo do Jabuti

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Há figuras na política brasileira que realmente despertam interesse. Algumas pela eloquência e vivacidade com que militam nas lides eleitorais e nas entranhas de seus partidos e grupos. Tornam-se referências e, muitas das vezes, suas trajetórias são revisitadas e analisadas.

Outras, porém, chamam a atenção pelo caráter inusitado de suas posturas. Pelo destaque que conquistam sob terem efetivamente realizado qualquer feito. É o popular caso do Jabuti na copa de uma árvore alta. Não há explicação para o local em que estão e, naturalmente, alguém o colocou lá.

O Vice-governador José Eliton demonstra uma peculiar familiaridade com o riso, com a simpatia, de uma forma que esta esconde sua incapacidade de resolver grandes questões que são demandadas pelos municípios e pelo Estado de Goiás. É daqueles casos em que o sorriso e o abraço visam a mascarar a incompetência.

Hoje, Eliton já está em uma galhada alta na árvore política goiana. Mas, a esperança do grupo liderado por Perillo ou, mais especificamente, na expectativa do próprio governador isoladamente, é a de que ele assuma o posto máximo do Executivo goiano, sem ter feito qualquer mérito ou qualquer ação consistente para tanto. É o Jabuti que foi posto lá e, ao estar, chama a atenção de todos pelo inusitado.

Ao eleger Eliton como o seu preferido para substitui-lo na corrida ao Palácio das Esmeraldas em 2018, Marconi Perillo ameaça ferir de morte mais uma vez o Estado que lhe conferiu tantas vitórias. É o tipo de filme reprisado que o eleitor já conhece bem, afinal, confiou em Marconi o voto direcionado a seu vice em 2006. Alcides Rodrigues foi eleito sob o prestígio inatacável de Perillo e o desastre até mesmo o próprio governador teve de assumir. Ao se voltar contra a própria cria, Marconi passou o recibo aos goianos de que havia feito uma péssima escolha somente para manter seu grupo no poder.

E, agora, novamente há um trailer para o mesmo filme: quer fazer de um apagado José Eliton o nome mais adequado para sua sucessão. A única virtude política do vice-governador é ser da confiança estrita de Perillo. Mesmo que não tenha nenhum serviço prestado ao Estado ou mesmo comprovada capacidade de gestão, seja na iniciativa privada, seja em órgãos públicos. O mérito de Eliton é ter amigos importantes. E, como disse, esta trama moldada somente para fazer o grupo de Perillo continuar no poder é lastimável e, desta vez, ainda mais arriscada para a economia e o desenvolvimento de Goiás.

Com um interesse cada vez mais crescente em se lançar a um projeto nacional, o governador delegou e praticamente terceirizou a gestão do Estado ao seu vice. Para que faça o que tem de fazer, sob seu comando, e para que compreenda como funciona a máquina estatal. Eleger agora José Eliton como gestor executivo do Estado é, ainda, uma forma de fugir dos desgastes naturais das medidas improdutivas e impopulares. No entanto, já agora o vice-governador mostra sua limitação evidente e não dá conta do recado delegado para ser vice e, eventualmente, assumir o posto.

Outro ponto que envolve a trajetória de José Eliton é a ausência de fatos marcantes na vida política. É um advogado com boas relações, mas politicamente conseguiu até mesmo inviabilizar a eleição de seu próprio pai na eleição municipal de Posse (GO), quando mesmo com a máquina a seu favor, conseguiu a proeza de ser derrotado na cidade natal. O que pode ser dito politicamente sobre ele é que, após ser lançado candidato a vice-governador sob a indicação e benção de Ronaldo Caiado, não tardou a traí-lo, abandonando não somente Caiado mas também a sua legenda, o DEM. Com uma rápida passagem pelo PP, agora aterrissa no PSDB a fim de assumir a imagem e semelhança de Perillo.

Goiás enfrenta problemas graves e sofre diante da dificuldade de encontrar saídas efetivas, racionais e rápidas para os problemas estabelecidos por estes governos anteriores. Mas, certamente, José Eliton não é o nome para encontrar a solução.

Written by O Autor

10 de fevereiro de 2016 at 18:19

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