A sinfonia de uma tragédia
A Universidade São Marcos está sendo fechada pelo Ministério da Educação com a ajuda de um processo judicial referente à Vara Trabalhista. Esta é uma notícia na qual não há vencedores, somente vencidos. Com esta decisão todos perdem em diferentes níveis e, principalmente, a Educação brasileira sai como a principal derrotada em um processo de saqueamento criminoso do qual esta
objetivo: solidificar um empreendimento familiar que começou com uma escola, uma faculdade e tornou-se uma das universidades mais importantes para a cidade de São Paulo. Foram 40 anos de conquistas, lutas, de formação de jovens e adultos que apostaram em um sonho comum e transformaram as próprias vidas, transformando assim também a sociedade em que estão inseridos. Pelas salas da São Marcos passaram estudantes que hoje se tornaram grandes profissionais. Foram inflados sonhos que mais tarde se materializaram.
Pela São Marcos centenas de jovens carentes da comunidade de Heliópolis tiveram acesso por intermédio de bolsa escolar ao ensino superior, uma conquista do Governo Lula que fez questão ele próprio de estar presente para anunciar aos membros da comunidade a novidade. A decisão rendeu uma homenagem ao meu pai, reitor desta escola, através de uma carta assinada pelo próprio presidente. Durante o evento, a emoção marcou todos os envolvidos. Era a certeza de que estávamos fazendo a História do Brasil, através da transformação pela Educação e pela aposta na mobilidade social que só o conhecimento pode gerar.
E foi isto que a Universidade São Marcos passou a fazer desde a sua fundação, desde o primeiro sonho de Ernani Bicudo de Paula: História. Somamos esforços na construção de uma País melhor. Na realização de uma São Paulo melhor. Espalhamos unidades de ensino no interior e em diversos bairros da capital. Nunca nos furtamos a estarmos presentes em projetos sociais e atender a comunidade nas áreas em que mais precisavam, com postos de saúde experimentais, e também na área do Direito.
Este foi o sonho de Ernani Bicudo de Paula.
E, aos 81 anos de idade, este homem, o fundador deste sonho, está proibido de entrar nesta faculdade que construiu com a ajuda dos filhos, dos funcionários com mais de 30 anos de serviços prestados em comum. Ernani Bicudo de Paula foi proibido por uma reitora e por um administrador judicial a pisar no sonho que ergueu e que uma maquinação do Mal – que visa sucatear a empresa e vende-la por uma ninharia usando como pano de fundo dívidas trabalhistas – e se o fizer pode ser preso.
Ernani Bicudo aos 81 anos pode ser preso por estar dentro do seu próprio sonho, que foi expropriado pela Justiça e, agora, pelo MEC numa arregimentação mafiosa envolvendo uma empresa de educação liderada por um ex-deputado federal de Minas. Juntos, eles mantem pessoas dentro da Justiça do Trabalho, do MEC e dos demais órgãos afins com a Educação. O objetivo é afundar a São Marcos e compra-la por preço de banana.
A arregimentação foi tamanha que nem mesmo os funcionários mais antigos estão ao lado do reitor. Foram ludibriados pela gestão de uma “laranja” que presta serviços a uma empresa estranha à São Marcos. É o abutre que espera o gado morrer para devorar-lhe. Assim agem estes abutres da “indústria da comunicação”, que fazem do aprendizado um pano de fundo para realizarem negociatas.
As esquisitices do processo são inúmeras. Em apenas 40 dias de intervenção, o administrador judicial e sua reitora de mentirinha “decretaram” o fim de uma universidade de 40 anos de tradição. Garantiram à Justiça que não haveria como recuperar a empresa, tornando a sua gestão “inviável”. Para ajudar, o administrador não pagou o aluguel do imóvel e a universidade recebeu ordem de despejo. Tudo para criar um cenário insustentável.
Neste interim, funcionários foram instigados e furtar equipamentos e objetos pessoais e do patrimonial de outras empresas familiares que nada tinham a ver com a São Marcos, no intuito de “recuperar de seus prejuízos”. Fomos novamente saqueados a fim de aumentar o terror no cenário de devastação inventado. Em visita à São Marcos, funcionários do MEC receberam diárias para uma semana a fim de analisar detidamente a situação da São Marcos, mas ficaram apenas dois dias nas unidades. O caso tinha cartas marcadas e nada se podia fazer. Eles vieram para “aparecer” e em seguida sumiram. O resultado já vinha desde antes deles pisarem na empresa.
A conta sobre a vida financeira da São Marcos permanece em aberto e só não fecha porque não há interesse da gestão Pirata e de Laranjas em fecha-la. É contra a missão que eles estão cumprindo fazer com que a universidade respire.
Por fim, fica o ensinamento de desilusão com a Justiça Brasileira. A nomeação de administradores suspeitos, despreparados, a mando de outras empresas e com interesses menores e escusos fizeram com que a Justiça do Trabalho fosse responsável pelo desemprego de centenas de funcionários. O fechamento de uma universidade é também a tentativa de se manter um negócio histórico, honesto, decente e com compromisso social. São mais de três mil alunos que também deixam de ter o seu espaço para estudos. E também para viver os seus sonhos de uma vida melhor com um ensino de qualidade.
O mesmo sonho que agora encerram na vida de Ernani Bicudo de Paula, o fundador de uma universidade de 40 anos de tradição, a Universidade São Marcos.
Abaixo as imagens de como era o Campus de São Paulo, sede própria, o de Paulínia e o que sobrou do campus de São Paulo, seis meses depois da “inrtervenção” para salvar a universidade.
PIRATAS DA NAU DESGOVERNADA
Atual sede “maquiada” da São Marcos: uma tentativa de enfraquecer uma marca com 40 anos de histórias para atender a interesses de quem quer comprar a Universidade pagando preço de banana. Agem com má fé, dolo, tirando a seriedade e o comprometimento com a Educação e o povo de São Paulo. Ofendem até mesmo a inteligência dos envolvidos ao usarem de tão baixo artifício.
Piratas da Educação
Venho relatando neste espaço os desmandos que um esquema milionário e multi-facetado, capilarizado nas mais diversas camadas da política, do meio empresarial e educacional de São Paulo. Com tristes e graves ramificações na Justiça de São Paulo. O caso da intervenção judicial e da conseqüente tomada de propriedade por parte de um grupo interessado em sucatear a Universidade São Marcos para depois negociá-la a preços distorcidos e inferiores é um grave exemplo de como à revelia da seriedade e das leis, podem ocorrer os procedimentos na Educação nacional.
Hoje, a Universidade São Marcos, de propriedade de minha família há mais de 40 anos, possui uma reitora cuja relação com a universidade é nula. Uma desconhecida da trajetória da São Marcos, bem como alheia a todo o processo de fundação e todas as conquistas que fizeram da São Marcos uma das instituições mais tradicionais da educação paulista. Um diretoria pirata, no melhor estilo corsário moderno, liderado por Maria Aurélia Varella.
Este grupo clandestino atua de forma independente, como se fossem os responsáveis pela criação e parte da história deste empreendimento fruto de esforço familiar. Sem qualquer ligação, tomaram de assalto a empresa. São interventores que se refestelam da fragilidade da justiça e de um esquema de tentáculos impressionantes que tem por objetivo negociar nossa escola pelo preço que acharem conveniente, mas sempre bem abaixo do esperado.
A estratégia é tão nefasta que estes piratas tem por objetivo vender o empreendimento que não lhes pertence e deixar para trás o passivo para os sócios. Querem oferecer toda a conquista de uma vida inteira para um novo dono, sem que este retenha qualquer rastro de problemas que são próprios de qualquer empreendimento a longo prazo.
Este caso está devidamente registrado e denunciado ao Ministério Público Federal, em Brasília. Temos esperança de que em âmbito federal haja alguma reação de seriedade e comprometimento com as leis deste país. E que os piratas da Educação sumam de uma vez por todas deste saqueamento que estão realizando nos campi da universidade.
Carta Aberta ao Ministro da Educação, Aloizio Mercadante

O então Presidente Lula na entrega das mil bolsas em Heliópolis ao lado do reito,r Ernani Bicudo de Paula, e Ernani de Paula, proprietários da São Marcos
Nos últimos meses, a Universidade São Marcos, uma das instituições de ensino superior com mais tradição na história da Educação em São Paulo, vem passando por dificuldades financeiras e momentos de readaptação no segmento educacional. Os problemas, típicos e comuns a qualquer empresa que atravesse vários ciclos, são resolúveis. No entanto, através deste momento de fragilidade na sua solidez histórica, abriu-se um flanco para a entrada de um verdadeiro parasita dentro da universidade.
Por intermédio de uma intervenção judicial para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas, um grande grupo do segmento educacional também se inseriu dentro da Universidade São Marcos com um único e escuso objetivo: enfraquecê-la e forçar a sua venda por um preço bem abaixo do que é merecido no mercado atual. É preciso ressaltar que antes deste processo judicial, nós da São Marcos já havíamos sido procurados por representantes deste grupo e negamos o interesse em negociar nossa escola.
A Universidade São Marcos tem um compromisso histórico na prestação de serviços com a comunidade. Não agimos como uma empresa cujo lucro seja sua meta. Atendemos uma série de anseios que são a marca do perfil pessoal de seus proprietários. O nosso compromisso com a Educação extrapola, chegando ao incremento do trabalho social realizado pelo Governo Federal a fim de elevar o nível educacional das classes menos favorecidas.
Foi com este objetivo que doamos mil bolsas estudantis para alunos da região de Heliópolis, um evento que marcou nossa história, já que teve a presença do então presidente Lula e da então ministra Dilma realizando a entrega destes benefícios aos estudantes. O próprio presidente enviou-nos uma emocionada carta em agradecimento pela contribuição. Estas mil bolsas distribuídas por Lula e Dilma estão em risco pelo que vem ocorrendo dentro da nossa universidade.
Porque hoje padecemos de uma obra maligna e sorrateira.
O que se viu após a intervenção judicial é uma verdadeira obra do mal, orquestrada para sucatear uma empresa e entregá-la para um novo proprietário numa movimentação que se assemelha a uma expropriação de uma propriedade privada.
Os administradores judiciais nomeados pela Justiça do Trabalho jamais apresentaram um plano de atuação, com um cronograma que tivesse início e fim. Estão gerindo a universidade, expandindo suas ações em diversos campi, como se fossem donos do negócio. Agem e negociam de acordo com suas intenções e não com o foco no que lhes trouxe – através da Justiça – para dentro da universidade.
Como se não bastasse tamanha desfaçatez, estes mesmos administradores judiciais, que se apossaram da reitoria, estão fazendo negócios com a empresa, ao invés de simplesmente recuperá-la e pagarem as dívidas. Recentemente foram flagrados mostrando os imóveis de universidade a representantes de outras empresas do segmento a fim de negociar preços, valores e prazos, para oficializar sua venda. Isto diante dos olhos dos verdadeiros donos! Um movimento sórdido, escandaloso e que passa omisso pelos olhos da Justiça e sua responsável pelo caso.
As ramificações desta quadrilha dentro da universidade, infelizmente, conta com funcionários do Ministério da Educação que não somente acobertam toda a farsa, como participam desta maquinação, através do apoio legal dentro da estrutura do MEC.
Reiteradas vezes temos buscado a Justiça e tentado mostrar o que de fato ocorre. Fizemos denúncias em diversos escalões da Justiça encaminhamos provas. Mas não fomos, até o momento, atendidos, sequer ouvidos. Enquanto isto, o poder de domínio invasivo, corrupto, e com fins comerciais escusos, continua se alastrando para dentro de nosso empreendimento familiar, construído ao longo de mais de 40 anos.
Não temos sido consultados pela Justiça que estranhamente não cobra destes gestores nomeados os resultados para os quais foram designados. Não cobram um prazo para que deixem a universidade. E neste ínterim, eles negociam a empresa, falam de valores, mostram prédios como verdadeiros corretores.
Diante de todo este cenário, nós, da São Marcos, pedimos a atenção da do Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para que se detenha com um pouco de atenção sobre o descalabro da situação de agressividade e violência moral que nos encontramos. Não é admissível que uma propriedade privada possa ser invadida, depenada, e negociada diante dos olhos de seus verdadeiros donos, aqueles cujas mãos estão as marcas do trabalho por cada tijolo colocado nesta obra.
Eliana Calmon e a Corrupção no Judiciário brasileiro
Um festival de fraudes, de violência contra a constituição brasileira e de desmandos contra o direito sublime de defesa. Assim pode ser resumida a trajetória da atuação da Justiça do Trabalho dentro da Universidade São Marcos há alguns meses. Neste caso, a Justiça do Trabalho bem poderia ser chamada de Justiça do Desemprego pois, sem qualquer precedente, está por gerar uma onda de desempregos e a destituição de uma das mais tradicionais instituições de ensino do Estado de São Paulo.
Isto porque ao longo dos meses temos lutado contra uma quadrilha com ramificações dentro do Poder Judiciário, do Ministério da Educação, orquestrados pelo poder econômico de grandes grupos de Ensino Superior que tem por missão invadir, enfraquecer e sucatear a marca São Marcos para que ela possa ser vendida a eles por um preço bem abaixo do que realmente vale. A juíza responsável pelo processo age constantemente de forma pouco republicana, como que sempre atendendo às demandas dos interventores, estes que mantém relações próximas com os grupos econômicos que pretendem adquirir a São Marcos. Todos agem em sintonia dentro do MEC. Este grupo, aliás, já foi por mim denunciado no Conselho Nacional de Justiça e estão, todos, sob eminente investigação.
Uma história de corrupção e de desatenção às leis que mais merecia a atenção da corregedora da CNJ, Eliana Calmon, que vem ganhando notoriedade por identificar e punir juizes que atuam em outros benefícios que não o respeito e o cumprimento da lei. Neste último episódio, depois de invadirem por intermédio de uma intervenção os campi de São Paulo, agora, se alastraram com o objetivo de atingir todos os pontos da Universidade São Marcos e na última semana intervieram na unidade de Paulínia.
Dentro deste cenário engendrado, o grupo que invadiu a Universidade São Marcos simula situações, comprometendo realidades, tornando-as mais duras e insustentáveis a fim de apresentar à Justiça um quadro bem pior nas condições estruturais, financeiras e acadêmicas. No meio disto tudo, há reuniões ocorrendo até mesmo no MEC com diretores nomeados e empresários da área de Educação, reunindo informações que levem à venda da universidade.
Estamos resistindo a isto tudo ainda apostando no lado correto e decente do poder judiciário e apostando que ainda haja solução para combater a agressividade do dinheiro que compra consciências e posturas a qualquer valor. A esperança que temos é que Eliana Calmon, com o histórico, inédito e heróico trabalho que vem fazendo, alerte e volte seus olhos para o que acontece em São Paulo à revelia de qualquer outra autoridade no Estado.
O que acontece na São Marcos é uma abominação da ordem e do direito de defesa e até mesmo do direito de uma empresa em se reerguer e fazer jus à sua História no mercado educacional brasileiro.
A farsa na Educação começa a cair
Tenho feito relatos sistemáticos do que vem ocorrendo dentro da Educação superior brasileira, com ênfase ao processo de achincalhe e empastelamento de universidades no Estado de São Paulo, num movimento que muito remete à ação organizada de empresas do setor visando o enfraquecimento de concorrentes através de manobras desleais. E até mesmo chegando à ilegalidade.
A livre iniciativa e o compromisso de formação de novos profissionais, por intermédio de um compromisso ético, tem ficado nitidamente relegado perante a ganância de quem pretende formar um grande bloco empresarial no setor educacional. É a tentativa de formar um cartel, industrializando a Educação no maior estado do país.
Neste cenário, a Universidade São Marcos vem sendo alvo de um trabalho suspeito, errado e arregimentado para promover o seu enfraquecimento como instituição, fragilizando a sua marca a ponto de comprometer sua História e tradição. O objetivo é claro: torná-la um objeto fácil para ser adquirida a um preço infinitamente abaixo do verdadeiro.
Este procedimento envolve manobras na Justiça, o bloqueio suspeito das contas da universidade, o desvirtuamento de atitudes de administradores que adentraram o campus a fim de estabelecer ordem e apenas trouxeram o caos, gerando instabilidade entre professores e alunos. Tudo começa a ficar muito claro a partir do momento em que a função pela qual os interventores judiciais deixaram de cumprir suas metas e começaram a agir como “donos” da universidade, agindo como gestores de um negócio que nunca lhes pertenceu.
Mas, a farsa começa a ficar bem clara neste momento e, por isto mesmo, perder a sua força. Estes administradores entraram com a idéia de sanar as dívidas trabalhistas da Universidade São Marcos em alguns processos na Justiça. No entanto, estão forçando uma outra situação: a de levar a marca São Marcos à hasta pública. Querem promover a venda de um negócio que não lhes pertence e mais: estão fazendo algo que não lhes foi dado como missão.
Ao realizarem esta manobra, estes interventores acabam por fazer o exato oposto ao qual foram designados. Com a modalidade de venda da Universidade São Marcos que eles querem forçar, deixa-se para trás todo o passivo de dívidas. Portanto, fica bastante evidente que estão realizando um mero negócio e não estão nem um pouco com o foco em cumprir o a Justiça determinou.
Agem desta forma com interesses pessoais, mancomunados com grandes grupos de Educação, envolvendo também políticos e funcionários do próprio MEC, que têm o objetivo de cartelizar a Educação superiorem São Paulo.Istojá foi fartamente denunciado pela direção da Universidade São Marcos na polícia federal e no Ministério Público, sendo alvo de investigação.
Estes interventores vêm gerando cenários inverídicos, como denúncias vazias de porte de armas dentro da reitoria, alegando que o reitor da universidade teria “abandonado” o comando da universidade e estaria desaparecido, quando na verdade, diariamente estamos todos trabalhando com o objetivo de reverter esta situação. E nossos endereços e intenções estão claros. Agora, também lutamos contra esta agressão ao sistema educacional.
A situação chegou ao ponto de o interventor tentar nomear-se reitor para poder satisfazer todas as vontades destes grupos que ele representa. Para isto, usa como massa de manobra a Justiça. Ao se amparar em supostas bases e decisões legais, este cidadão pretende tornar-se dono de uma empresa à qual ele chegou por acaso.
O que estamos fazendo neste momento é buscar a Justiça e exigir um tratamento honesto com uma investigação criteriosa de tudo o que vem ocorrendo neste processo dentro da Universidade São Marcos. Queremos resolver e cumprir com nossos compromissos trabalhistas e continuar gerando conhecimento. E, de quebra, expurgar estes malfeitores da Educação que pretendem fazer da Educação de São Paulo um quintal de suas casas.
O terror empresarial continua na Educação Brasileira
Tenho usado este espaço para evidenciar, propagar e sobretudo manifestar meu direito democrático de denunciar o mar de lama em que se encontra o meio educacional brasileiro. Um cenário assustador, no qual os interesses financeiros e as disputas sujas pelo mercado suplantam princípios éticos, morais e até mesmo o compromisso com a Educação e a formação de uma nova sociedade brasileira.
Nestes meses, venho sofrendo ao lado do reitor, Ernani Bicudo de Paula, ataques políticos e judiciais de toda a sorte. Documentos são esquecidos, misteriosamente desconsiderados, e a invasão da Universidade São Marcos por um grupo alheio à sua história e ao compromisso com a Educação simplesmente causou o caos que o grupo interessado pelo enfraquecimento da universidade queria. A idéia é misturar o que está indo mal com o que está indo bem na empresa e, desta forma, tratar tudo como um cesto de frutas podres. É a estratégia suja para inviabilizar uma empresa de quase quatro décadas de história e facilitar o seu processo de venda.
A maior prova disto aconteceu com a intervenção judicial e a determinação de um gestor para tocar as contas e efetuar pagamentos. Este cidadão adentrou na universidade alastrando a tensão entre funcionários e professores, prevendo sempre o pior e começou a fazer a pior coisa imaginável: negociar a renda da universidade. Atendendo a possíveis interesses escusos ao da Justiça e da própria empresa, este grupo trabalhou para piorar a situação.
Enquanto uma unidade passava por problemas, outra, a de Paulínia, seguia com a saúde financeira devidamente equacionada. Qual não foi a surpresa de todos aos misturar todas as unidades em um só “problema” e conseguir o bloqueio de todas as contas? Ao fazer isto, a universidade ficou inviabilizada de tocar seus projetos, gerar renda e, consequentemente, honrar os compromissos que vinham sendo pagos corretamente. É como se para salvar um homem sem pernas também lhe cortassem os braços.
Em meio a este cenário surge um novo personagem. Um ex-deputado do DEM de Minas Gerais e ligado a uma instituição de ensino passou a freqüentar o dia-a-dia dos compromissos da Universidade São Marcos, como se dela fizesse parte. Ruy Muniz é sócio de instituições como a Funorte e Soebras. O interesse tornou-se claro: querem enfraquecer os processos de recuperação da São Marcos, até que ela esteja a ponto de ser fechada ou… comprada.
Lembrando que Ruy Muniz é o mesmo que tem ligações com a Universidade Sumaré, a mesma que já relatei neste espaço que tem recebido quantias milionárias (cerca de R$ 60 milhões) por parte do Governo de São Paulo para gerar créditos educacionais a estudantes de baixa renda.
As artimanhas são tão mesquinhas que até mesmo o administrador judicial tem mantido uma postura suspeita. Ele foi responsável por algumas reuniões extra-oficiais com diretores e alunos da universidade, informando-os que a universidade estaria passando por um processo de compra por outro grupo educacional. E disse mais: que o processo duraria no máximo 60 dias. Isto porque nem mesmo nós, proprietários da empresa, recebemos qualquer proposta ou mesmo topamos fazer qualquer tipo de negociação desta natureza. A intenção de macular, enfraquecer, confundir e prejudicar a empresa São Marcos é evidente e nefasta.
Todo este caso vem sendo amplamente denunciado por mim na Polícia Federal. Ao retornar das férias, a juíza responsável pelo caso, Lycanthia Ramage, tomou conhecimento dos recentes acontecimentos. Idônea e séria, a juiza não sabia do que estava acontecendo e aí está mais um fato, no mínimo, curioso: todas as reuniões e as demandas suspeitas que foram aqui relatadas aconteceram à revelia do conhecimento da magistrada, já que esperaram que ela saísse de férias para agir sem fazer a comunicação à Justiça.
A disposição deste grupo, que mais parece uma gangue, não tem limites. O pior dos casos aconteceu recentemente e não me envolveu pessoalmente, mas, pior: o meu pai. O reitor da universidade, de 81 anos, foi alvo de uma armação gravíssima. Achando que eu estaria na universidade na ultima quinta-feira, fizeram uma denúncia de que havia duas armas na sala da Reitoria no campus de São Paulo. No entanto, eles desconheciam o fato de que não vou ao referido endereço há mais de três meses. A idéia era promover um escândalo e, quem sabe, pedir a minha prisão por porte ilegal de armas. Mas, diante da frustração do seu plano, jogaram a denúncia para o fundador da Universidade São Marcos, um homem de 81 anos de idade.
Foi dito que ele ameaçou os administradores, funcionários e ao mesmo tempo contou-se o mesmo boato para este grupo. O objetivo é usar este pessoal de confiança do reitor, afinal alguns funcionários são funcionários desde a fundação da São Marcos, como massa de manobra. A idéia é sensibilizar a juiza a fim de que ela proíba um senhor de 81 anos a entrar no próprio campus da universidade que ele, com seu suor e suas mãos, constRuyu ao longo de décadas.
Tudo isto vem sendo arquitetado por Ruy Muniz tendo à frente um grupo educacional chamado FTB, que entre outras coisas, responde pela acusação de venda de diplomas. É este tipo de gente que anda tentando comandar a São Marcos e implantando um sistema de terror no mercado da Educação no Brasil. Em meio a tudo isto surgem propostas de empresas interessadas na compra da São Marcos. Todas já comprovadamente ligadas ao mesmo grupo. A mais recente denomina-se evangélica e também mantém relações com a mesma FTB de Brasília.
Na última segunda-feira entreguei ao promotor Silvio Marques, responsável pelo Patrimônio Público, os documentos da própria faculdade Sumaré, que foi quem recebeu repasses milionários do Governo de São Paulo e, hoje, tenta fazer as movimentações de enfraquecimento e compra de universidade. Este é o processo que se encontra hoje a Universidade São Marcos. Tentamos sobreviver no meio ao olho do furacão.
Estamos, portanto, contra-atacando e não vamos nos render. A história da Universidade São Marcos é também a história de nossa família e de nossas vidas. Não podemos, portanto, nos render à pressão. A história é longa e parece estar longe de terminar. Mas enquanto houver forças, dentro da legalidade e do compromisso social, trabalhista e pelo desenvolvimento da Educação, vamos seguir lutando e combatendo estas gangues empresariais que estão dilapidando o ensino brasileiro.
A política do ódio
A perseguição de inimigos, sobretudo os derrotados depois de uma contenda, não é uma novidade na história da humanidade. Remonta os períodos mais primitivos, passando pelos relatos bíblicos e chegando até os momentos mais recentes de nossa trajetória, como nós a conhecemos. A primeira surpresa nisto é a atestação de que não somos uma raça em evolução em diversos aspectos. A nossa relação com o próximo, por exemplo, segue a mesma de quando morávamos em cavernas e usávamos o tacape para conseguir comida ou para nos impor em alguma situação.
No entanto, o que ainda surpreende é que estas práticas de perseguição atinjam níveis que, em tese, são mais intelectualizados e distantes da violência primitiva que todos carregamosem nós. Napolítica, o ato de perseguir é praticamente um item de série de gestores públicos. Atuam na intenção de se preservar ou de garantir a “governabilidade”, mas, em nome disto, montam verdadeiros grupos de caça a adversários políticos e ideológicos. Buscam onde estiverem: seja em outras esferas igualmente públicas, no setor privado e até mesmo no jornalismo. No setor de comunicação, especialmente os jornalistas – por entrarem na mira mais facilmente e oferecerem poucas defesas se comparado ao arsenal de possibilidades que tem um político de sucesso – são sempre alvo preferencial.
Em Goiás, esta prática não é uma nova. Mas tem ganhado contornos inovadores no atual governo, no qual jornalistas são alvo de perseguições profissionais, provocações de toda a sorte. Grande parte é incentivado pelo comando da comunicação estatal goiana que, ao contrário do que apregoava durante a campanha seu líder (que dizia querer ter um milhão de amigos), agora parece somente promover segregação de profissionais. De um lado o que são apoiadores do projeto do tucano Marconi Perillo, alguns por crença outros por terem sido adquiridos a peso de ouro. De outro, os jornalistas que pensam diferente, que fazem oposição.
E a divisão de verbas publicitárias do governo é apenas o começo desta saga inquisidora. Veículos de comunicação que não elogiam desbragadamente o governador – ou que publicam os desmandos, os erros e as decisões confusas do gestor de Goiás simplesmente não são inseridas nos planos de mídia. Veículos que tem liderança em seus segmentos, sejam jornais ou rádios de diversas cidades goianas, tem a sua participação relegada pelos pensadores da Comunicação governista.
A tática é evidentemente perigosa e baseada num dos piores sentimentos existentes no humano: o rancor. Agir desta forma ofusca o trabalho de qualquer político. Seja bom ou ruim, sempre vai haver um lastro de ‘algo errado’ feito por ter perseguido veículos e profissionais. Uma das posturas mais anti-democráticas que Marconi Perillo tem tomado é quanto ao uso das redes sociais. Um dos precursores do Twitter no meio político goiano, Perillo soube usar muito bem a ferramenta para chamar a atenção para si.
No entanto, depois do sucesso eleitoral, relegou o espaço a assessores. Quando os comentários são positivos, o perfil de Marconi Perillo responder, republica os comentários e interage. Quando o contrário – ou seja – quando receber uma cobrança mais agressiva ou mesmo uma crítica dura, além de não responder, o perfil usa um mecanismo chamado “Block”. Resumindo: o crítico leva um cartão vermelho do governador e não pode mais interagir, mandar o seu comentário crítico ou a sua cobrança. Um governador do sistema democrático que não consegue aceitar críticas ou mesmo acusações de cidadãos que são eleitores de seu estado realmente demonstra ter pouca tolerância com o sistema que usa: a democracia.
Os relatos de que há jornalistas e comunicadores em geral tendo seus espaços reduzidos em grades de programação também crescem. Veículos recebem algum tipo de singelo aviso e quase sempre a pressão é financeira, com a redução das cotas publicitárias. Mais do que isto, pessoalmente há jornalistas sofrendo com uma verdadeira industria da boataria que assola os meandros do poder. Histórias de tentativas de ‘composição’ com o governo, como se estivessem-se vendendo para tentar ganhar dinheiro e ‘mudarem de lado’. Isto, entre outras coisas, enfraquece o poder de fogo do comunicador, deixando em torno de sua imagem a suspeita de que não está fazendo uma crítica aberta, mas sim uma pressão na tentativa de ‘oferecer dificuldade para vender facilidade’.
A estratégia evidencia o desrespeito com o pensamento alheio, com o diferente, com a liberdade. A atitude de tentar dar conotações obscuras a comentários críticos não apaga o fato de todos os goianos estarem vendo que os motivos para a crítica e a cobrança são variados, a perder de vista. As promessas de campanha não estão sendo cumpridas, sequer citadas, os prazos estão excedendo. E é natural que haja cobrança e crítica. Mais do que calar jornalistas ou tentar minimizar suas opiniões, não será possível à cúpula da comunicação de Goiás calar o pensamento, o sentimento e a percepção cada vez mais aguçada do eleitor e do cidadão goiano. Ele a tudo vê.
A política do ódio está na moda em Goiás. Mas o cidadão goiano demonstra estar bastante atento às ofensas proferidas contra a democracia.
Universidade São Marcos é alvo de tramóia para ser sucateada e vendida
Os problemas pelos quais passam o ensino brasileiro em diferentes níveis vão além do déficit de conteúdo em sala de aula, da falta de qualificação ou mesmo do resultado final das aprovações de alunos em universidades. A luta que enfrentamos diariamente é para reverter este quadro e poder mudar o perfil sócio-educacional do país. No entanto, além deste fantasma, há verdadeiras organizações paralelas atuando nos bastidores de governos, da justiça e no mercado educacional com o objetivo claro de sucatear empresas e em seguida fazer a melhor oferta para compra. É aquela velha máxima: provocar dificuldades pra depois vender facilidades.
Este processo vem acontecendo com a Universidade São Marcos desde 2008. Depois de ter sido referência nacional, ganhando elogios da então ministra Dilma e do presidente Lula, pela doação de bolsas pela Universidade ao UNAS, começou um processo orquestrado para denegrir a imagem da São Marcos. Inicialmente, com a criação de uma página eletrônica que tinha por objetivo tecer maldosas críticas e perigosas calúnias contra mim e contra meu pai, reitor da universidade.
Na mesma época, estranhamente, ocorre um greve de professores em período de férias, o que fez o MEC abrir uma sindicância para apurar o ocorrido dentro da universidade e também dentro do movimento.
Aproveitando uma desavença familiar com os demais sócios da empresa, meu irmão e minha irmã, um grupo conseguiu se infiltrar na direção da empresa. Sob o comando de um suposto profissional da educação. Rapidamente, este senhor muda o perfil de atuação dentro da empresa e começa a disparar ofensas e críticas. Com um discurso de que eu e meu o reitor, meu pai, desviávamos dinheiro da universidade, ele chegou a fazer diversos artigos com agressões ostensivas. Um novo processo administrativo foi aberto pelo MEC para investigar a falta de sustentabilidade financeira e econômica.
Uma empresa que estava à margem deste tipo de notícias, começa a entrar no olho do furacão de uma seqüência de “denúncias” e manchetes negativas. Tudo em um piscar de olhos.
Paralelo a isto, começo a observar que algumas universidades recebiam gordos repasses do Governo de São Paulo, algo que a Universidade São Marcos nunca havia recebido. O dinheiro era para fomentar o ensino de estudantes carentes. Em um só dia uma universidade concorrente recebeu R$ 6 milhões. O total chegava à impressionante marca de R$ 700 milhões.
Faço a denúncia da existência de um esquema dentro do governo de São Paulo a fim de fortalecer algumas empresas de ensino em detrimento a outras, que naturalmente iam sendo enfraquecidas. Neste processo, a equipe que havia se instalado na empresa era toda proveniente de uma faculdade recém adquirida pela UNIESP. E o mais curioso: esta Uniesp também repasses do governo estadual, totalizando, acreditem, R$ 60 milhões. Outra concorrente recebeu outro repasse da mesma quantia. As ligações entre os diretores destas entidades e o então responsável por coordenar os repasses na Secretaria Estadual de Educação são públicas e evidentes.
Hoje, também, esta Uniesp tem íntimos laços com um pré-candidato à Prefeitura de São Paulo.
A partilha de bens patrimoniais da empresa e unidades de ensino, minha irmã e irmão ficaram cada uma com unidades específicas. Ao longo do ano de 2009 até o começo de 2011 ambas fecharam as portas ao não suportar a concorrência.
Diante de todo este cenário de notório enfraquecimento de imagem e os diversos processos administrativos provocados, o MEC fez uma proibição em relação ao vestibular e autonomia, precisamente dia 28 de março deste ano. Assim, bombardeada por más notícias, qual não é a minha surpresa ao receber a visita de um individuo que deseja oferecer uma proposta de compra da universidade. Ao se apresentar, diz-se muito amigo de diretores de regulação do MEC e que eles liberariam na hora a realização do vestibular.
No final de junho recebo uma exigência da diretoria de regulação do MEC pedindo dados semelhantes ao recredenciamento, que havia acabado de ser entregue. São informações complexas e só nos foi ofertado um prazo de 10 dias para cumprir a entrega de balanço, número de alunos por curso, número de cursos, conteúdo das disciplinas, entre outros dados. Segundo fomos informados, havia uma reclamação em outubro de 2010 no campus da cidade de Paulínia e por isso iria abrir novamente o processo por falta de sustentabilidade econômica e financeira.
No mesmo mês de junho aparece uma intervenção trabalhista na São Marcos da cidade de São Paulo. Fizemos um acordo de parcelas mensais de R$ 18 mil de uma divida de R$ 2 milhões. Por ocorrência de um atraso de seis dias na terceira parcela, a Justiça autoriza o bloqueio de 100% das receitas, travando por completo a universidade e seus compromissos. Uma intervenção é feita.
Diante do agravamento da crise, recebo nova visita do mesmo interessado em fazer a compra da São Marcos. Desta vez, a oferta é de R$ 5 milhões. Os interventores judiciais dão um parecer contrário à São Marcos, anunciando que não há sustentabilidade financeira. Com o bloqueio, não foi possível realizar o pagamento dos professores e funcionários, gerando assim o descrédito no Campus Paulínia.
Através de uma intervenção direta, conseguimos com o juiz a liberação da folha no final da mesma semana. Unindo os pontos desta tramóia envolvendo o administrador que liderou a intervenção e todas tentativas de enfraquecer a universidade e denuncio tudo na Polícia Federal no dia 16 último, na Corregedoria da Justiça do Trabalho, que já abriu processo. Também foi feita a mesma denúncia no MEC. No dia 17 de manhã recebo a ligação deste mesmo cidadão interessado na compra da universidade dizendo ter sido convocado pelo interventor para uma audiência com o juiz, minha irmã e as demais pessoas do esquema. Segundo ele, seu desejo era que pudéssemos fazer uma conversa antes. Diante da minha negativa, não há conversa e eu mando entregar a denúncia que fiz na Polícia Federal no horário da tal reunião. Diante deste ocorrido, a reunião não aconteceu.
Neste meio tempo, faço uma importante descoberta que reúne todos os envolvidos e que reúne todos os protagonistas deste esquema ao ex-secretário Paulo Renato de Souza, denunciado por mim ao Ministério Público. A descoberta é: um dia antes desta suposta reunião descubro que quem fez a avaliação da marca São Marcos para que ela fosse colocada em hasta pública, conforme estávamos sendo ameaçados, nada mais é que a Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo, onde o titular foi sub-secretário de Educação. Este homem nada mais é do que o responsável pelos projetos sociais e pai do Bolsa Educação, ou seja: quem distribuiu grande parte dos R$ 700 milhões para universidades como Sumaré e Uniesp.
Tudo então fez enorme sentido: a disposição em bombardear a marca São Marcos, enfraquecê-la e deixá-la a ponto de ser engolida por outras gigantes que estão crescendo com o dinheiro público em repasses milionários como os descritos assim.
A violência à Constituição e ao Ensino Brasileiro
Esta semana, a Universidade São Marcos foi palco e vítima de uma violência que por muito tempo fomos acostumados a conviver e que, por esperança de dias melhores, acreditávamos ter desaparecido. No entanto, parece ser um medo que constantemente irá nos rondar enquanto não vivermos no estado de Direito pleno.
A situação é direta e bastante clara: por conta de uma dívida de R$ 18 mil mensais oriundos de processos relacionados à Justiça do Trabalho, a Universidade São Marcos foi invadida e tomada por uma força policial que adentrou ao campus com o objetivo de cumprir uma determinação judicial. O despacho foi feito por uma juíza, que achou por bem enviar a polícia para aterrorizar professores, alunos e gestores da universidade, com o pleno direito de, se preciso, promover um arrombamento da sede de uma instituição de ensino.
Mais do que isto, a autora de tamanha e assustadora façanha descumpre o artigo 207 da Constituição Federal Brasileira de 1988, no qual está disposto que “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.
Em meio a todo este procedimento junto à Justiça do Trabalho foi nomeado junto à administração um perito judicial e, para a entrada deste, foi designada uma força policial. O descalabro foi tamanho em suas ações dentro da universidade que, diante do ocorrido, realizamos uma denúncia na Polícia Federal, na Corregedoria do Tribunal do Trabalho.
Nossa denúncia versa sobre corrupção deste perito judicial que não tem qualquer sorte de vínculo com Educação, portanto sem qualificações para gerir ou interpor qualquer ação em prol da universidade. Mais do que isto: há indícios evidentes de que há um algo engendrado internamente, envolvendo este profissional, com o objetivo de tentar realizar uma compra fraudulenta da Universidade São Marcos, por um preço bastante inferior ao mercado. A polícia federal também está investigando isto.
A idéia é simples: evidenciar dificuldades e problemas para que preço caísse e atendesse o interesse de possíveis compradores. Pura armação. Com o aval da Justiça que não enxergou o tamanho dos problemas envolvidos. Em um dos arroubos de sandices praticados, promoveu-se o bloqueio das contas da universidade do tamanho da São Marcos por conta de uma dívida de R$ 18 mil. Há documentos e provas de que os alunos eram estranhamente orientados e pagarem suas mensalidades diretamente ao administrador que interveio no processo por que passa a universidade. Algo inadmissível e impensável.
Mais do que incorrer em erros assustadores – que nos remetem aos tempos do Estado de Exceção da Ditadura Militar brasileira, tal violência evidencia o despreparado com que estamos convivendo dentro do Poder Judiciário, no qual uma magistrada sente-se à vontade para decidir acima da Carta Magna. Tal deformidade de atuação promove a aproximação de oportunistas que se lançam dos mais diversos expedientes a fim de se aproveitar da Justiça para faze esquemas, falcatruas de todo o tipo.
Além: o destacamento de uma força policial causa desconforto, sensação de censura e em certo nível até mesmo insegurança para quem quer que esteja inserido em um ambiente sagrado da pesquisa, do estudo e do desenvolvimento intelectual, como estudantes, professores e pesquisadores. A contaminação deste espaço pela ameaça da força bruta é um ato que nos envergonha e constrange todo aquele que defenda e celebre a liberdade pregada pelo Estado e Direito.
São Paulo é reconhecido hoje como um dos estados mais violentos do mundo. Enquanto há mazelas acontecendo em nossas esquinas, às vezes à luz do dia, e com o desaparelhamento das nossas polícias, ainda há quem tire policiais das ruas e dos seu trabalho intenso e até mesmo heróico para adentrar em universidades particulares, achando por bom senso fazer uso da opressão para garantir outros direitos.
A situação nos envergonha como cidadãos brasileiros. Mostra o quanto ainda somos frágeis diante do despreparo de quem aplica nossas leis e, infelizmente, passa por cima delas. Mas é preciso reagir. Com a denúncia que fizemos queremos ir além: buscar não somente o reconhecimento de nosso Direito, mas ainda dar o exemplo de que é preciso contra-atacar, com a força da lei, a violência que invariavelmente somos vitimados. Esperamos que a Polícia Federal realize o seu inquérito e nos traga respostas. A partir daí, teremos condições de repercutir este triste cenário, mostrando que, apesar de tudo, é possível crer e fazer a nossa parte na obtenção de nossos direitos soberanos.



