Blog do Ernani de Paula

Empresário, ex-prefeito de Anápolis (GO) e sempre atento à política

Dez anos de uma farsa

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No próximo dia 19 de agosto completam-se 10 anos de uma das maiores violências à Constituição e ao processo democrático brasileiro ocorrido em tempos recentes no Estado de Goiás. A Cassação sumária do meu mandato como prefeito de Anápolis, democrática e legitimamente eleito, representa certamente o maior ato de truculência ocorrido sob a orquestração de Marconi Perillo, em agosto de 2003 e até hoje permanece sem explicação ou qualquer lastro de fundamentação.

Haja vista que jamais fui condenado na Justiça por qualquer um dos atos atribuídos ao meu mandato. Fui condenado por uma armação política sem que houvesse qualquer outro sinal de comprometimento nas supostas acusações a que me fizeram. Agora, 10 anos depois, a História pode começar a ser remontada a fim de que chegue à superfície todos os interesses relacionados àquele ataque truculento, autoritário, no qual vereadores foram intimidados, cooptados ou mesmo tiveram seus interesses mais íntimos atendidos para que rezassem na cartilha do Palácio das Esmeraldas.

Hoje, observando com distanciamento dos fatos principais e ainda analisando os cenários de Goiás e de Anápolis uma década depois, é possível traçar um paralelo que possibilite a compreensão das ações daquele 2003. Em primeiro lugar, o momento de instabilidade política do grupo liderado por Marconi Perillo. Tudo ainda era uma novidade sob provação e nosso mandato em Anápolis começava a fazer sombra às suas intenções eleitorais de se permanecer por anos na líde política de Goiás. Hoje, vemos Perillo e sua turma há 16 anos no poder. Minhas declarações afirmando que cogitava, sim, uma candidatura ao Governo nas eleições seguintes, ainda em 2001, caíram como uma bomba aos interesses marconistas. E este foi o primeiro alerta para comandar um ato de violência política como aquele.

Marconi Perillo 2Em seguida, há um curioso fato que pode ser comparado com nossos dias atuais: a questão da água. No início da década passada, Anápolis padecia de um problema crônico de abastecimento de água. A empresa estatal goiana, responsável pelo gerenciamento destas ações, a Saneago, tinha dias de sucateamento e abandono na cidade. O dinheiro arrecadado em Anápolis era usado para fazer obras em outros municípios enquanto, anos após anos, o anapolino pagava para não ter água em alguns meses do ano. Nós, da gestão municipal, depois de muito reivindicar, anunciamos o início de alguns estudos a fim de municipalizar a água da cidade. Ou seja: teríamos controle de gestão e de aplicação de obras para a cidade.

Isto representaria a perda de milhões de reais anuais que são usados para fazer política. O dinheiro do anapolino para a água é usado para festas, shows e obras em outras cidades. Sabíamos disto em 2002 e hoje, em 2013, reportagens de O Popular mostra a mesma situação: a Saneago custeia festas enquanto o atual prefeito precisa ir à presidência da empresa para cobrar a finalização das obras já iniciadas e abandonadas na cidade. A questão, portanto, está longe de ser nova. À época, o governador era Marconi. E hoje, ainda é o mesmo. O que nós fizemos foi afrontar esta fonte de renda politiqueira do Governo de Goiás sob o comando de Marconi Perillo.

O resultado foi o início de uma ação ditatorial, autoritária, que nos impedisse de devolver ao anapolino o dinheiro que ele paga para a Saneago não realizar obras na sua rua, no seu bairro e na sua cidade. Com isto, a construção falsa de um “caos administrativo”.

Ao longo do tempo, nós combatemos algumas das empresas e grupos político-empresariais que mandavam dentro da prefeitura. Como cheguei ao comando municipal sem amarras e combinações políticas ou financeiras, não tinha qualquer compromisso em manter os esquemas que lá havia. No momento de desacordo com o Governo Estadual, foram estes grupos que se aliaram à vontade e aos interesses do Governo para organizar este sentimento de caos.

Com a intervenção orquestrada por Marconi Perillo e executada por seu fantoche político, Alcides Rodrigues (que depois tornou-se governador e, uma vez sem utilidade para Marconi viu-se traído e abandonado), o “caos”  criado poderia ser combatido. Para isto, o Governo promoveu um atitude que sairia cara a Anápolis: a antecipação de receitas a fim de despejar dinheiro em obras e ações administrativas. A ideia era uma só: mostrar ao povo que havia dinheiro em caixa e que não acontecia nada na cidade por conta de uma má gestão. Após a saída de Alcides e com o ingresso de Pedro Sahium – que foi um dos agentes desta traição política ao se rebaixar à condição de um funcionário do Palácio das Esmeraldas – Anápolis mergulhou na inanição. Continuamos sem dinheiro, sem apoio, sem obras e sofrendo dos mesmos problemas como o da água, até hoje.

Anápolis somente conseguiu romper com este modelo de dependência do Governo do Estado pela ação perspicaz do atual prefeito, Antônio Gomide, que bancou uma bem sucedida aliança com o Governo Federal, sem necessitar passar por submissões e as humilhações políticas com o atual gestor do Estado. Este rompimento representa à cidade uma nova refundação, o dia em que deixou de ser um quintal de Perillo e seus aliados.

Marconi Perillo é vil em suas ações políticas. É violento. Seus adversários e seus aliados enxergam isto, uma vez que sua política é toda baseada na cooptação – exemplo do que foi feito com o PFL de um dos seus ex-principais aliados, Ronaldo Caiado – e uso da força de forma desproporcional. Aconteceu em Anápolis, no qual ele não somente realizou a cassação de um inimigo, mas deixou na cidade um legado de atraso de mais cinco anos ao jogar a gestão municipal no colo do desastrado prefeito Pedro Sahium, cujos números e o legado falam mais do que qualquer julgamento ocorrido neste artigo.

A atitude de Marconi Perillo e todos os seus asseclas que o seguiram nesta sandice rasgou a Constituição e impôs a Anápolis a condição de bairro de Goiânia ao interferir daquela forma na vontade eleitoral, sublimada pelo voto. No entanto, hoje, o anapolino e o povo de Goiás começam a compreender quem de fato se trata Marconi Perillo e quais as suas intenções ao querer se perpetuar no poder por quase duas décadas. O tempo ainda há de revelar muito mais sobre algumas passagens desta política nefasta que ainda permanecem às sombras.

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15 de agosto de 2013 at 18:33

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Governo Federal desafia casta do jaleco e promove revolução na Saúde

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Médicos estão esperneando. Este é o termo. Pelas redes sociais, profissionais despejam críticas, ataques e até mesmo falam em ditadura e serviço civil obrigatório. Inventam teses para destituir a lisura do programa “Mais Médicos” que prevê a contratação de profissionais de outros países, sobretudo, da Espanha e de Portugal. Igualmente atuam as entidades classistas e representativas, que prometem ir à Justiça para barrar a extensão do curso de seis para oito anos com os dois últimos dedicados a atendimento público.

Mas, no meio disto, e os brasileiros, onde estão?

O que necessitam de atendimento na rede pública – e não nos rincões brasileiros, mas muitas vezes nos horários de emergência em postos de saúde dentro de grandes e médias cidades e… não tem médico. Cadê o plantonista? Onde está o responsável? Não há médicos. E quase sempre pelas mesmas razões: está em casa, esperando que, caso seja necessário, alguém o acione. Ou, mais comum ainda: a vaga não foi preenchida porque os salários não são tentadores aos profissionais que optam por trabalhar na rede privada e ganhar muito mais. Isto, levando-se em conta de os salários giram em torno de valores bastante acima dos demais profissionais da estrutura pública, muitas vezes, equiparando-se ao primeiro escalão dos governos municipais. Mesmo assim, não é tentador o suficiente.

A coragem do Governo Federal e da presidente Dilma tem potencial para revolucionar a Saúde em poucos anos. A chegada de profissionais formados na Europa e em busca de trabalho e oportunidades é a chance que temos em colocar o médico onde há demanda. É no Brasil menos visitado e mais carente que está a necessidade. Com salários de R$ 10 mil, podemos trazer profissionais que hoje padecem da falta de mercado em seus países atravessando crises. Para nós, historicamente, isto representa a quebra de um sistema de castas dos mais antigos e perniciosos do Brasil: a Casta do Jaleco.

Mais do que representar um status profissional intocável, através de um processo histórico, a classe médica tem evitado o contato com o serviço público e as áreas carentes para se dedicar ao atendimento especializado na rede conveniada ou particular. Enquanto isto, vai se evitando também o Juramento de Hipócrates e dedicando-se às plagas mais rentáveis do atendimento hospitalar.

O projeto que prevê a partir de 2015 o aumento de seis para oito anos no curso de Medicina não é uma invenção à brasileira. Países como Inglaterra e Suécia o utilizam e tem, também por isto e outras ações, um dos serviços públicos de Saúde mais avançados. Aqui, fala-se em exploração e serviço obrigatório. Lá, chama-se: compromisso e Cidadania. A chiadeira não poderia ser mais representativa do que uma nobreza social e científica se rachando e o povo sendo misturado aos nobres em nome da Justiça Social e do avanço da Saúde no país.

Como gestor, enfrentei dificuldades na cidade de Anápolis. Quando prefeito, colidi com políticas promovidas por grupos empresariais ligados à Saúde e comandados por médicos. Sofri retaliações e fui perseguido politicamente. Hoje, vejo uma visão diferente, mas percebo que a atual gestão naquela cidade passa por algo semelhante: tem vagas, salários atrativos a qualquer outro profissional de quaisquer áreas, mas padece com a ausência de médicos que desistem de atuar porque salários de R$ 6 mil, R$ 8 mil (em algumas prefeituras da região Norte do Brasil, chega-se a R$ 30 mil) não são lá muito tentadores.

Com os estudantes necessitando do estágio em campo nestes novos dois anos gera-se, antes de tudo, Saúde a todos os necessitados e, em seguida, uma formação ainda mais aprimorada e mais qualificada voltada para o humanismo e a compreensão da necessidade humana da população carente. Após estes dois anos teremos profissionais de Medicina mais sintonizados com a realidade brasileira e com o próprio valor humano e não somente máquinas de produzir conhecimento e riqueza.

Abrem-se, portanto, as cortinas de uma nova Saúde no Brasil. E o barulho produzido em contrário são tão-somente as amarras da Evolução sendo arrebentadas e a ferrugem do velho poluindo discursos em contrário.

Written by O Autor

10 de julho de 2013 at 19:35

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Pandora das Esmeraldas

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Goiás amanheceu esta semana com os gritos apaixonados de um homem que oferta a própria vida para defender a honra de sua mulher. Um artigo assinado por Carlos Cachoeira na edição de segunda-feira no jornal Diário da Manhã mexeu com muito mais estruturas que corações apaixonadamente dilacerados por uma ofensa vinda de órgãos públicos. Cachoeira se sentiu ofendido com o fato de chamarem sua mulher de penetra numa festa promovida no Palácio das Esmeraldas, na qual ela foi convidada – e pagou pelo ingresso ao evento beneficente.

Ao mirar os algozes do seu amor, Cachoeira acertou em cheio aos segredos mais íntimos e secretos do Governo de Goiás sob o comando de Marconi Perillo. O saquinho de coisas mal cheirosas o qual é impossível se desfazer e a única saída é guarda-lo num local que não incomode quem está mais perto foi mexido e remexido e de seu odor pútrido de origem desconhecida, saíram os aromas que remetem à Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Que remetem às ligações telefônicas na qual Marconi Perillo, o governador de Goiás, se coloca como amigo de Carlos Cachoeira e o indaga: faz festa e não chama os amigos?

Os ‘amigos’, agora, parecem em pé de guerra. Pelo menos de um lado, o lado do homem que viu sua mulher ser achincalhada numa festa realizada na intimidade do poder. Uma intimidade que Cachoeira deu todos os sinais de conhecer muito bem. Talvez até dar a sua contribuição para mantê-lo assim, quem sabe? Andressa Mendonça postou uma foto de dentro do palácio. A assessoria disse que ela era penetra. O circo, então, pegou fogo.

Carlos Cachoeira passou oito meses preso, foi escrachado, tornou-se inimigo número um do Estado. E aguentou tudo sozinho. Mas não suportou ver a amada tratada como uma ‘penetra’ numa festa de bacanas. Logo ele e ela, que possivelmente já estiveram próximos de muitos personagens que hoje insistem em negar seu convívio, renegam o passado e a tratam como “penetra”.

Não, Carlos Cachoeira não admitiu isto e, como qualquer homem que defende sua mulher e sua família, partiu em um ataque passional, aquele no qual não se medem esforços e tampouco consequências. Foi a campo e chamou Marconi Perillo para “cair pra dentro”. Chamou ao embate e deu a opção ao mandatário da casa onde Andressa foi vista pela última vez como “penetra”: escolha suas armas, disse ele.

Fez mais, ainda. Para provocar a ira do seu inimigo, agora figadal, disse impropérios. Chamou seu governo de “Governo composto de bandidos” e questionou a origem da bandidagem: está no cerne do governo ou na periferia da administração? Cachoeira tinha sangue nos olhos e a fé dos apaixonados. E chamou o adversário ao embate. Ou, como ele poderia dizer no artigo, “chamou pro pau”.

E nada. Nada de Marconi, nada de ninguém do “governo composto por bandidos” (grifo feito da fala de Cachoeira, a gente aqui não sabe de nada). Ninguém, passados quatros dias, sequer se manifestou de tamanho impropério.

Cachoeira fez uma ameaça aberta, pública, quase uma convocação: não o façam abrir a caixa de Pandora, a que pode revelar coisas inesperadas. A Caixa de Pandora é uma alegoria antiga da mitologia e ligada aos Deuses. Em Goiás, com o envolvimento de parceiros de festas, jantares e negócios da Operação Monte Carlo não há espaço para mitologias e nem deuses. A caixa de pandora é na verdade o saquinho de coisas fedidas que insistem em dizer que não existe, mas só de pensar nele já é possível sentir seu desagradável odor.

Portanto, que se abram a Pandora das Esmeraldas. Que se revele a origem do mal cheiro que volta e meia este Governo é lembrado por exalar. Que Marconi Perillo devolva a agressão recebida em defesa de sua honra de político sério, honesto e homem que não aceita ser chamado de bandido. E que o Ministério Público acione os envolvidos para saber quais são os segredos que esta caixinha de pandora segrega e que também recorrentemente é lembrada como instrumento de ameaça.

E que o evento filantrópico que considerou Andressa Mendonça uma penetra seja lembrado como o dia em que o povo de Goiás foi filantropicamente brindado, enfim, com “a verdade sem mentiras”.

Written by O Autor

13 de junho de 2013 at 16:11

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A falta de prioridades do MEC para gerir a Educação nacional

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Em uma nota de registro tímida e acanhada, a Folha de S. Paulo informa ao Brasil uma decisão no mínimo polêmica e que, na análise de quem vive a realidade da Educação Nacional há mais de três décadas, soa como uma lamentável afronta no que podemos chamar de falta de prioridade no desenvolvimento da Educação no Brasil. As informações dão conta de que o Ministério da Educação firmou uma parceria com diversos países do continente africano com o objetivo de investir no ensino superior em alguns países.

O projeto prevê financiamentos do MEC para que universidades brasileiras abram frentes de trabalho nos países a fim de desenvolver o ensino na região. Até o momento, vinte universidades nacionais, entre elas Universidade de São Paulo e a Universidade Federal de Minas Gerais, enviarão professores e pesquisadores para instituições de cinco países africanos e um asiático, todos de língua portuguesa. Nossos professores e nossa estrutura será instalada em países de língua portuguesa como Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe.

A idéia, inicialmente, tem como pretexto a Educação para inserir nestes países um conceito de proximidade comercial e cultural. Tudo isto pode a médio e longo prazo otimizar as relações de exportação e a abertura de novos mercados para o Brasil nestas regiões. Seria a ideia perfeita, caso nós, brasileiros, fossemos minimamente atendidos no padrão educacional dentro de nossas cercanias. No entanto, com a realidade que enfrentamos, esta ação soa como um assombro, uma ofensa e, em última análise, uma demonstração da falta de prioridades do MEC para a realização de um projeto que gere excelência no ensino brasileiro.

A reportagem da FSP dá conta que, por meio da Capes, serão financiados 45 projetos, que custarão R$ 6 milhões – pouco menos de 10% do que a pasta deve gastar neste ano com bolsas para alunos nas universidades brasileiras. Este dado, em nossa avaliação, não soa como um “negócio em conta”, mas ao contrário: como a perda de oportunidade de reinvestirmos 10% mais na expansão da nossa rede de bolsas para brasileiros.

Enquanto o MEC adota uma política expansionista, reinventando o que pode-se chamar de uma Campanha das Grandes Navegações para a Educação, nós ainda padecemos de investimentos, muitas vezes, em quesitos básicos, primordiais para o desenvolvimento educacional. Há universidades lutando pela sobrevivência, há cursos claudicantes. Isto sem falar nas faculdades e universidades privadas.

Falo, agora, como gestor de uma das mais tradicionais instituições de São Paulo, com mais de 40 anos de existência, cujas dificuldades de gestão foram somente pioradas com a intervenção do MEC. Agora, receber a informação de que enquanto lutamos para educar e nos mantermos no mercado educacional brasileiro, o mesmo MEC atua para beneficiar mercados internacionais e desenvolver o ensino em países africanos.

Em meio à necessidade de expandir o crescimento nacional – o que é louvável e necessário para um país que quer protagonizar ações ao redor do globo como o Brasil tem se manifestado – no entanto, obter o mínimo de investimentos e resultados internos é o passo fundamental para a soberania na Educação. Acreditamos que é através dela ser possível galgar os passos da excelência e da ostentação internacional.

Written by O Autor

6 de junho de 2013 at 20:08

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A antidemocracia do desesperado

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Marconi Perillo está encurralado em seu próprio ninho. Acusa ser vítima do próprio veneno que ajudou a enxertar em seus adversários, escolhidos pelo grau de importância que teriam em lhe causar problemas como oposição. Perillo é um político desesperado, sem discurso, sem governo, sem realização. E na ausência de popularidade, encontrou no nicho tucano um espaço para ser aplaudido, o que não acontece desde a fatídica eleição que o levou ao Palácio das Esmeraldas em 2010. Empolgou-se. E deu-se a dizer impropérios típicos de um político acuado, mimado, desacostumado ao debate e às dificuldades próprias do sistema democrático. Marconi atua com mão-de-ferro na política de Goiás. E, agora, acusa Lula de fazer o mesmo.

No entanto, Perillo vai além. Alcunhou o ex-presidente Lula – cuja popularidade ao deixar o Governo é um recorde até o momento – duas vezes de canalha. Na segunda, disse ser perseguido e ter dificuldades no governo federal por conta da atuação “do maior canalha deste país”. O Brasil, quase despreocupado com a importância de Marconi Perillo, se pergunta: quem é este rapaz? Quem é este senhor que, no afã de aparecer, de conquistar um aplauso triste da claque que – remunerada – costuma acompanhá-lo para muitas vezes ser incitada a gritar delírios como “Brasil Urgente: Marconi Presidente” (assunto que foi tema do articulista Fernando Rodrigues na Folha de S.Paulo na ocasião), pensa que é para detonar impropérios a outros políticos?

Imagem  A relevância de Marconi Perillo fora de Goiás só pode ser conquistada desta forma: com escândalos como o da Operação Monte Carlo, na qual ele pede para ser convidado para a festa de aniversário de Carlos Cachoeira, sob a frase de “faz festa e não convida os amigos” e, assim, de forma lamentável, antidemocrática e de cunho chulo e deseducado, típico do perfil ideológico e da formação de Marconi Perillo. O uso da expressão “canalha”, forte, só perde para outro absurdo contido no discurso do governador, cujo governo é um legado a grupos político-empresariais que o lotearam. E o conceito tão ou mais ofensivo que o xingamento é a afirmação de que é perseguido por Lula.

Afinal, quem mais em Goiás perseguiu, cercou, cooptou políticos e jornalistas e demais profissionais que gravitam na política que o próprio Perillo? Ele, agora, se dizer perseguido nada mais é que uma grande ofensa à inteligência e à memória de muitos políticos cujas trajetórias foram sucumbidas pela mão pesada e autoritária de um alcaide ganancioso, centralizador e bastante aborrecido com o conceito de democracia.

Eu, pessoalmente, fui perseguido, atacado e retirado à força num movimento excessivamente ditatorial em um momento no qual Goiás vivia à pesada e escura sombra da nuvem da personalidade de Marconi Perillo. Por me lançar como opositor ao seu Governo, já virtual e de propaganda em 2003, e também por me declarar pré-candidato ao Governo de Goiás nas eleições de 2002, passei por um processo relâmpago de destituição do cargo de prefeito de Anápolis. Foram violentadas as mais sinceras vontades e vocações da democracia e da Constituição, seja no Poder Legislativo, seja no Judiciário. Era o poder sombrio de Marconi Perillo imperando suas vontades vis e íntimas em nome da sua perpetuação no poder.

Hoje, 10 anos depois, Marconi ainda tenta deixar a sua marca. Em desespero, suplica pelo último holofote a lhe dar visibilidade. Acuado pela oposição e cada vez mais distante de uma reeleição em 2014, lança mão do expediente bárbaro de denegrir, ofender, atacar, xingar. Foi além dos seus mais notórios líderes, que jamais desceram ao porão do vocábulo para fazer política e ser oposição.

Perillo é um soluço na política brasileira e um engasgo na história administrativa de Goiás. Mas a saliva da renovação está prestes a remover este incomodo e clarear o caminho para que o Estado volte a respirar bons e novos ares.

Written by O Autor

21 de maio de 2013 at 17:12

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Goiás e os caciques do cifrão

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José Batista Junior é um megaempresário. Lidera um grupo familiar que, com a ajuda societária do BNDES, é detentora do maior frigorífico do mundo. Vive certamente num mundo distante de quaisquer realidades às quais estão inseridas os goianos, sejam eles os mais ricos do Estado. O chamado Junior Friboi conhece como poucos no Brasil o poder que o dinheiro tem de abrir portas, conseguir desejos, galgar posições.

E, com base nisto, o empresário que mal tem contato com Goiás e sua gente por força de sua agenda de trabalho pelo mundo resolveu usar o seu poderio financeiro para abrir novas portas. Desta vez, escolheu a política. E vem há alguns anos experimentando o contato com este mundo, cuja força do dinheiro fala alto a ponto de impressionar qualquer um que tenha ainda o conceito de política como a aplicação de ideologias filosóficas. Longe disto, na intimidade de legendas e lideranças partidárias, o dinheiro grita e tem quase sempre a última palavra. Sabendo disto, o astuto empresário Friboi vem se imiscuindo neste meio. E sua participação vem sendo uma lástima na proposta de “renovação” de quadros que tentam inseri-lo. Junior Friboi não cabe neste desígnio de ser o novo porque é, antes de tudo, um trapalhão como dublê de agente público.

Em seguidas entrevistas – uma delas em 2010 quando tentava se segurar como vice do então candidato Marconi Perillo – Friboi disse que tinha tudo combinado com Perillo: uma vez eleito, Perillo cederia lugar para voltar ao Senado e faria dele, já se considerando vice e eleito meses antes da eleição, o titular para que pudesse se tornar então o novo governador de Goiás. Assim, tudo combinado e certo nos bastidores. A fatídica entrevista mostrou o lado ingênuo e arrogante do empresário cuja crença é de que o dinheiro compra acordos e os mantém a qualquer custo. Na política, para o bem ou para o mal, não é assim.

Agora, Junior Friboi retorna ao cenário novamente apostando no viés financeiro. Quatro anos se passaram e foram suficientes para que ele compreendesse que seu carisma e poder de sedução em forma de cifras e notas arreganha as portas de qualquer partido. Praticamente brincou com o PSB e instalou naquela legenda um segmento de seu escritório de trabalho como empresário. Cansou de brincar num partido emergente, porém sem grandes perspectivas para 2014 no Estado. Agora, invade o PMDB, uma grande legenda, com grandes feitos, mas patinando pela ausência de líderes, exceto Iris Rezende. Quer usar o partido para dar prosseguimento a sua vontade pessoal: ser candidato a governador.

Friboi encontra esperança e um caminho aberto no cenário de Goiás por ter como exemplo recente a vitória de 2010 de Marconi Perillo. Amplamente apoiado por fortes grupos econômicos, Marconi hoje vive amarrado a estes apoiadores e sequer consegue mexer em sua equipe, tendo o seu governo loteado para pagar compromissos de campanha. Mas venceu. E certamente com base nesta experiência, Friboi se enxerga próximo de seu desejo: se o dinheiro fala na política de Goiás, ele pode ser a próxima voz ativa em 2014.

Estamos há pouco mais de um ano para a eleição e é o momento do Estado de Goiás mudar o perfil de como escolhe e de como seus eleitores são convencidos a escolher seu líderes e representantes políticos. Enquanto houver a crença de que o dinheiro e o poderio de armar campanhas milionárias for uma resposta para o desenvolvimento institucional do Estado, sempre cairemos nas mesmas armadilhas e ficaremos reféns de grupos financeiros e cada vez mais longe dos verdadeiros nomes que podem fazer a diferença e mudar o paradigma de atendimento social

Goiás hoje é um Estado moderno e deve aplicar estas evoluções à sua prática política. É preciso romper com modelos coronelistas e de feudos que fazem do Estado uma reserva de curral político. E a hora de mudar é rechaçando quem não tenha proposta, não tenha compromisso social e político com o Estado e que só esteja em busca da realização de negócios ou da realização pessoal e íntima de desejos e vontades. e desenvolvimento sustentável do Estado.

Written by O Autor

16 de maio de 2013 at 15:02

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Campanhas antecipadas em Goiás: combinação explosiva nos bastidores

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O fim de uma eleição é o marco inicial para que a próxima já seja programada nos bastidores e entre dirigentes políticos e agentes públicos. Inicialmente, este trabalho é sigiloso, até mesmo secreto, para só então – no tempo certo – chegar à superfície e se tornar notícia, entrar na pauta das discussões da imprensa e, por fim, da população.

No Brasil, o senador Aécio Neves tenta se consolidar como força de oposição a Dilma em 2014. Para isto, precisa vencer resistências do tucanato paulista, que domina o cenário do PSDB há mais de uma década. Para isto, trabalha internamente e vai pautando sua agenda com o trabalho de divulgação na imprensa. Até aí, tudo corre de acordo com o perfil de sua condição. Assim como Dilma e o PT fazem, pontuando ações institucionais da presidência com outros claros movimentos de quem se prepara para uma candidatura à reeleição.

Mas, alguns casos particulares fogem deste padrão de comportamento. Em Goiás, o cenário é totalmente diferente do senso comum e as campanhas estão deflagradas. Se não ainda com nomes definidos – o que seria passível de punição pela Justiça Eleitoral – os diversos grupos políticos se organizam com eventos e movimentações dignas de uma corrida eleitoral que promete ser eletrizante e, quase sempre, também sangrenta. O que leva este fenômeno a ocorrer é um conjunto que fatos que combinados geram uma mistura explosiva.

O principal deles é o enfraquecimento político e administrativo do atual governador Marconi Perillo. Endividado politicamente por conta da caríssima campanha, Marconi não consegue efetuar nem mesmo as mudanças de praxe em sua equipe. Com evidencias de ter uma gestão loteada por grupos investidores em sua campanha de 2010, Perillo está engessado. O desdobramento disto é o desgaste administrativo. Poucas foram as promessas que o governador tucano conseguiu tirar do papel e do discurso. Com uma administração empacada, fica à mercê do desgaste junto à população goiana, que também sente o cansaço pelas inúmeras repetições da figura de Marconi em campanhas e realizando promessas.

Se o discurso de Marconi Perillo era de Tempo Novo e renovação, ele hoje representa algo mais velho do que seu então adversário Iris Rezende. Cronologicamente, Perillo está a mais tempo no Governo de Goiás do que Iris esteve nos anos 90 quando este discurso de Tempo Velhos versus Tempo Novo foi levantado. Ele agora é o mais novo Tempo Velho.

Somado a isto, vem o achincalhamento pelos desdobramentos da Operação Monte Carlo que, entre outras coisas, flagrou um governador ligando para um bicheiro para lhe dar parabéns por ocasião do seu aniversário. Nem mesmo as contundentes denúncias contra membros do Governo, sobretudo na Secretaria de Indústria e Comércio (comandada por Marcelo Limírio, um dos nomes com mais ascendência no governo por conta dos investimentos em campanha) e na Segurança Pública (o então secretário João Furtado é considerado homens de muitos segredos de Marconi) foram suficientes para derrubar os gestores destas áreas. Marconi absorveu estes golpes e, certamente, o efeito disto será sentido nas eleições.

Com este conjunto de ações, a oposição se organiza e percebe que de forma inédita tem um campo aberto para ser trilhado junto a opinião pública. Um dos nomes que mais metem medo no grupo marconista é o de João Batista Júnior, o Junior Friboi. Detentor de poderio econômico que faz sozinho frente a todos os grupos financeiros que Marconi Perillo conseguiu amealhar para lotear sua gestão em 2010, Júnior se filia ao PMDB de Iris Rezende e pode encabeçar uma chapa capaz de contrapor Perillo em capacidade de gestão e em penetração econômica numa campanha milionária.

O PT, motivado pelos excelentes resultados de 2012, com Antônio Gomide em Anápolis e Paulo Garcia na capital, legitima-se para politicamente capitanear um trabalho de construção de uma nova opção política. A combinação de Junior Friboi com a expertise do PT de Rubens Otoni, Gomide e a gestão do PT de Garcia em Goiânia podem representar uma sombra gigantesca nas vontades de Marconi Perillo em partir para o seu quinto mandato.

A certeza que o tempo atual nos dá é uma só: nunca Marconi ficou tão zonzo se apoiando nas cordas e nunca a oposição teve um momento tão especial para trabalhar. Assim, fica uma certeza: a campanha em Goiás superou os debates sigilosos e começa a ganhar discreta, porém contundentemente, as ruas de cada cidade do Estado. 

Written by O Autor

10 de maio de 2013 at 14:42

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